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	<title>Game Changer 11 &#8211; GALILEU</title>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com Maria Gambina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Mar 2021 14:00:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Maria Cristina Lopes é natural de Oliveira de Azeméis e cedo mostrou apetência para a área das artes, tendo frequentado o curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes em 1989 e posteriormente, tirado o curso de Design de Moda em 1992 no Porto. Foi no decorrer do ano de 1990 que apresentou a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Maria Cristina Lopes é natural de Oliveira de Azeméis e cedo mostrou apetência para a área das artes, tendo frequentado o curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes em 1989 e posteriormente, tirado o curso de Design de Moda em 1992 no Porto.</p>
<p>Foi no decorrer do ano de 1990 que apresentou a sua primeira coleção tendo sido galardoada na <strong>Coup de Lune,</strong> iniciativa da Air France, e na <strong>Bienal de Jovens Criadores da Europa e Mediterrâneo</strong>, que decorreu em Lisboa em 1994. Tendo alcançado o primeiro prémio em 2 anos consecutivos no concurso Sangue Novo, promovido pela Moda Lisboa que serve para detetar futuros talentos na área do fashion design.</p>
<p>Em 1993 cria a marca Maria Gambina e participa em inúmeros projetos e desafios lançados por marcas, empresas e instituições, num percurso que tanto se liga à moda como à música no qual as suas criações são sempre pautadas por ligação e identidade.</p>
<p>Em 1997, em parceria com o estilista José António Tenente, desenhou o projeto vencedor para as fardas que viriam ser utilizadas pelos funcionários da Expo&#8217;98.</p>
<p>Posteriormente, nos meses e anos seguintes esteve envolvida em vários projetos relevantes e onde obteve importantes distinções, das quais se destacam o prémio de <strong>Criadora do Ano</strong> pela Elite Model Look em 1997, a participação com a coleção Outono-Inverno 1998/99 no Workshop de Paris, feito até então inédito na moda portuguesa, que contudo veio a repetir no ano seguinte, com a coleção de 1999/2000 que lhe acabou por abrir as portas do mercado japonês.</p>
<p>2000 veio a revelar-se mais um ano de sucesso para a designer de moda, que vence o prémio da <strong>Melhor Coleção Feminina</strong> promovido pela Moda Lisboa com a sua coleção “Music is My Life”, e participa no calendário oficial da Semana da Moda de Paris ao integrar o desfile Portugal Fashion International &#8211; Les Créateurs Portugais.</p>
<p>Em 2006, recebe o prémio de <strong>“Melhor Estilista”</strong>, na categoria de Moda, atribuído na Gala The Best of Porto.</p>
<p>Durante a preparação para o Europeu de Futebol de 2012 e no âmbito do projeto Euro-Fashion/Fashion ft. Football 2012, na Ucrânia, foi a designer escolhida para representar Portugal como embaixadora do país.</p>
<p>Paralelamente às suas funções e desde 1994 dedica-se ao ensino do <strong>Design de Moda</strong> como professora, começando no CITEX e passando por outras instituições como no CENATEX, na Escola de Moda do Porto e nos últimos anos na ESAD (Escola Superior de Artes e Design &#8211; Matosinhos) onde durante 8 anos foi Coordenadora e Professora da Unidade Curricular Projeto II, da Licenciatura em Design de Moda.</p>
<p><strong>Atualmente é uma das estilistas portuguesas mais requisitadas e de maior reconhecimento internacional, designadamente na área do streetwear, Maria Gambina inspira-se nos movimentos musicais para criar as suas roupas, dando uma imagem jovem e descontraída à sua marca com elementos como agitação, dança, humor, alegria, rua, cidade, noite e cor.</strong></p>
<p>Aceda aqui a entrevista:</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/bdXqZkXrupo" width="700" height="560" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<a class="btn  btn-inline" href="https://www.galileu.pt/gamechanger11" target="__blank"><strong>Descarreque aqui a 11ª Edição da Revista Game Changer</strong></a>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com Joana Rita Sousa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 14:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer 11]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer 11 - Entrevista com Joana Rita Sousa]]></category>
		<category><![CDATA[Joana Rita Sousa]]></category>
		<category><![CDATA[Marketing Digital]]></category>
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					<description><![CDATA[Licenciada na área da Filosofia, realizou inicialmente um mestrado em Gestão de Recursos Humanos, tendo-se posteriormente especializado em Filosofia para Crianças. Mas algo pouco comum é passar destas áreas para o Marketing Digital, Joana Rita Sousa, assume que foi a Filosofia que teve grande parte da responsabilidade pela própria ter seguido este caminho. Divertida, explica [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Licenciada na área da <strong>Filosofia</strong>, realizou inicialmente um mestrado em <strong>Gestão de Recursos Humanos</strong>, tendo-se posteriormente especializado em Filosofia para Crianças. Mas algo pouco comum é passar destas áreas para o <strong>Marketing Digital</strong>, Joana Rita Sousa, assume que foi a Filosofia que teve grande parte da responsabilidade pela própria ter seguido este caminho.</em></p>
<p><em><strong>Divertida, explica como tudo se procedeu, todo o seu percurso profissional, deixando várias ideias e fazendo uma análise à sua e à geral utilização das redes sociais, bem como uma retroespetiva, balanço e antevisão, do que foi, está e há por ser feito.</strong></em></p>
<p><strong>Quando e como nasceu o interesse pela Filosofia?</strong></p>
<p>JRS- Quando era pequena – coisa que ainda sou, pois tenho pouco mais que metro e meio – falava em estudar jornalismo. As perguntas eram algo que me fascinava, pois permitia-me abrir portas, tal como faz a Alice, depois de ir cair pela toca do coelho. Quando tive Filosofia no 10.º ano apaixonei-me e tomei a decisão de estudar mais profundamente e me dedicar a esta área.</p>
<p><strong>E dentro da filosofia, porquê especificamente a filosofia para crianças?</strong></p>
<p>JRS- A filosofia para crianças foi algo que descobri já depois de ter feito a licenciatura, estava eu a estudar consultoria de empresas. Tropecei nas Novas Práticas Filosóficas ou Filosofia Aplicada, onde a filosofia para crianças e jovens e os cafés filosóficos se incluem. Na altura não fiquei absolutamente fascinada e acabei por me dedicar ao estudo do papel do filósofo nas empresas e organizações, no meu 1.º mestrado. Quando conheci mais profundamente os contornos da filosofia para crianças, através da Celeste Machado e do Oscar Brenifier decidi dedicar-me “a sério” a esta área da filosofia.</p>
<p>Há aqui um certo acto de ousadia, nisto de levar a filosofia para espaços onde habitualmente ela não entra, como um jardim de infância ou a escola do 1.º ciclo.</p>
<p>E é perigoso, pois ainda posso acabar por ser acusada de corrupção a juventude, como aconteceu com Sócrates (o grego).</p>
<p><strong>É mais importante do que nunca desenvolver nas crianças o “amor pela sabedoria”?</strong></p>
<p>JRS- O professor António de Castro Caeiro ensinou-me um outro significado da palavra filosofia, que não é tão “fofo” como “amor pela sabedoria”. Diz o professor que o étimo aponta para uma obsessão pela transparência. Eu sei, talvez não seja muito abonatório para os filósofos, dizer que somos obcecados pela transparência – mas é o étimo que o diz.</p>
<p>Pegando nesta ideia e voltando à pergunta: considero que é muito importante desenvolver com as crianças um espaço e um tempo onde podemos praticar o pensar, brincar com os pensamentos, imaginar hipóteses, avaliar argumentos, criar e recriar a partir do pensamento dos outros e praticar o diálogo. O diálogo é muito importante, pois falamos muito, usamos muitas palavras que jogamos fora só para preencher silêncios. É importante escutar para poder construir algo a partir do que eu e os outros pensamos. Em suma, praticar a obsessão pela transparência.</p>
<p><strong>Como alguém parte da filosofia para o marketing digital?</strong></p>
<p>JRS- Pensando bem, a responsabilidade é da filosofia. Quando encontrei a filosofia para crianças tinha uma sede enorme de saber quem trabalhava nesta área, como desenvolviam oficinas, que recursos utilizar, e de procurar com quem fazer formação. Esta busca levou-me a criar um blog para partilhar o que encontrava e fazer pontes com pessoas de outros pontos do mundo. Depois do blog, vieram as outras redes sociais, para me ajudar a divulgar o que fazia e a apresentar-me no mercado. Eu fazia tudo: copywriting, recolha de conteúdos, planeamento de conteúdos; por vezes havia amigos designers que me ajudavam com questões da imagem. Na altura fazia as coisas mas não tinha noção dos nomes das tarefas que estava a fazer e estava longe de imaginar que iria fazer isto, de forma estruturada e profissional, para outras pessoas e marcas.</p>
<p>As minhas formações na área da consultoria de empresas e dos recursos humanos também me ajudaram a estruturar pensamento, sobretudo na área do marketing que mais me agrada: estratégia.</p>
<p><strong>Que paralelismos consegue traçar entre as duas áreas?</strong></p>
<p>JRS- A pergunta. A investigação. O planeamento para o imprevisível: por mais que planeie uma oficina de filosofia, o que nela vai acontecer depende muito das pessoas que nela participam. Estamos constantemente a rever o plano inicial, muitas vezes temos de o abandonar.</p>
<p>Desenhar uma estratégia tem o mesmo tom: há variáveis que se alteram e temos constantemente de rever o pensamento de partida.</p>
<p><strong>O que trouxe da filosofia para o marketing digital?</strong></p>
<p>JRS- A capacidade de fazer boas perguntas. As competências de pensamento crítico e criativo.</p>
<p><strong>Tem também um mestrado em Gestão de RH, de que forma essas 3 áreas são compatíveis?</strong></p>
<p>JRS- Fiz o mestrado em Gestão de RH pois queria estudar o papel do filósofo nas empresas e organizações, sobretudo na área dos RH. A experiência foi muito boa, pois conheci professores que me ensinaram muito na área da gestão e da estratégia, e tive ainda a possibilidade de ter o professor José Barrientos Rastrojo (Universidade de Sevilha), especialista em Filosofia Aplicada, a orientar a minha dissertação.</p>
<p>Defendo que podemos estudar áreas aparentemente desconexas umas das outras. Em tempos cursei japonês e sânscrito, só para ginasticar a minha capacidade linguística. Tenho dois níveis de língua gestual portuguesa. Estudei criatividade e relações públicas. Fiz vários cursos relacionados com a área bancária. Quando voltamos à área onde nos sentimos como “peixes na água” voltamos um olhar novo e isso é algo que gosto de cultivar.</p>
<p><strong>Quais os maiores desafios que tem encontrado ao longo da sua carreira profissional?</strong></p>
<p>JRS- Especificamente na área da filosofia para crianças e jovens, o grande desafio passa por credibilizar o trabalho, praticando e investigando.<br />
Na área do marketing digital, o grande desafio passar por manter a minha linha diferenciadora perante o mercado.<br />
Em ambas as áreas, o desafio é manter-me atualizada para proporcionar formação ou consultoria estruturada e bem informada a quem me procura.</p>
<p><strong>Que balanço faz da sua carreira profissional até ao momento?</strong></p>
<p>JRS- A minha carreira profissional vai dando passos. Caminhar é uma atividade que implica desequilíbrio e nós nem nos apercebemos bem disso. Acresce que sofro de síndrome vertiginoso, pelo que vou passar esta pergunta de balanços, pode ser? (#justkidding)</p>
<p><strong>Que planos tem e ainda estão por realizar?</strong></p>
<p>JRS- 2020 mostrou-nos que o plano mais ambicioso passa por fazer tudo para não perder o olfacto.<br />
Tenho muitas ideias espalhadas em post it e cadernos, ideias que pretendo realizar. Gostava de ter uma Academia, ao estilo platónico, onde podemos caminhar e filosofar.<br />
Sou muito má na resposta à pergunta “onde te vês daqui a 5 anos?”. Não sei responder. Mas valorizo a pergunta, só para que conste!<br />
Esta entrevista fez com que olhasse muito para o passado e tive de parar para pensar: “é verdade, como é que eu cheguei aqui?”. Foi um bom momento de reflexão, obrigada!</p>
<p><strong>Se tivesse de precisar, qual classifica como o momento Game Changer na sua vida profissional?</strong></p>
<p>JRS- Sem dúvida o momento em que abraço a vida de freelancer e procuro dedicar-me à filosofia e à comunicação, deixando para trás a profissão que ocupava na banca.</p>
<p><strong>O que a realiza profissionalmente?</strong></p>
<p>JRS- Fazer perguntas, tornando as pessoas conscientes do seu pensamento e autónomas no seu uso.</p>
<p><strong>Como surgiu o projeto Joana Rita ponto Eu (<a href="http://www.joanarita.eu" target="_blank" rel="noopener">www.joanarita.eu</a>)?</strong></p>
<p>JRS- Ora bem, durante alguns anos eu era aquela pessoa que pregava a importância das marcas terem um website, uma casa própria e&#8230; TA-DA! eu não tinha. Tive de parar para pensar e criar o conteúdo para o website que a ActiveMedia criou à minha imagem e semelhança.<br />
Quando fui registar o domínio, o joanarita ponto com já estava ocupado, bem como o pt, e estava livre o joanarita ponto eu.</p>
<p>Joana Rita ponto EU é nome do website e surgiu como “nome” depois de ir uma e outra vez a empresas e apresentar-me como Joana Rita e ouvir do lado de lá: “qual é a empresa?”. Como não sou uma empresa, mas sim uma pessoa, criei um nome de empresa só para poder responder a essa pergunta. Não é exactamente um projecto, mas sim o espaço digital que alberga o conjunto de serviços que tenho para oferecer na área do marketing digital – e onde tenho um blog dedicado a esta área.</p>
<p><strong>É particularmente ativa no Twitter, qual a sua perceção das diferentes redes sociais?</strong></p>
<p>JRS- O Twitter ensinou-me a ser sucinta e a escolher muito bem as palavras que queria usar, tendo em conta que havia o limite de 140 caracteres por tweet, quando entrei na rede, em 2009.</p>
<p>Sou fã e praticante do ser e estar nas redes sociais; a vida da grande maioria das pessoas é onlife e olho para as redes sociais como canais de comunicação. Bem sei que não são ferramentas inocentes e por isso defendo que façamos um uso consciente das mesmas, sejamos nós pessoas ou marcas.</p>
<p>Gosto de experimentar redes novas, para conhecer funcionalidades e também para me divertir. Prova disso é a “áxetague” #joanadotwitternotiktok (é procurar, senhores, é procurar).</p>
<p><strong>As redes sociais têm mudado profundamente a forma como nos relacionamos uns com os outros e com mundo. Vê estas mudanças como positivas, negativas ou um pouco de ambas?</strong></p>
<p>JRS- Num contexto pandémico as redes sociais revelaram ser o consolo, o colo, o espaço de aprendizagem, o lazer, a diversão e também o mural de desabafo.<br />
Tenho uma perspetiva optimista sobre as redes sociais, defendendo um uso ético e transparente das mesmas, seja da parte de quem as desenha, como da parte de quem as usa.<br />
A humanidade tem sido “mestre” nisto de criar ferramentas e só depois pensar nos imperativos categóricos e no que deve ou não fazer-se. A discussão ética chega já muito tarde. Façamos o nosso papel. Como? Abrindo espaços para essa discussão, nas próprias<br />
redes. Foi assim que nasceu o #twitterchatpt, um espaço de conversa saudável, dirigida à comunidade, que tem lugar numa rede que também alberga muito ruído e desinformação: o Twitter. Mas onde também é possível ter conversas saudáveis e respeitosas.</p>
<p><strong>Como antevê que venha a ser o futuro das redes e o seu impacto na sociedade no futuro?</strong></p>
<p>JRS- As redes sociais estão aí, não vão acabar. Se não forem estas que usamos hoje, serão outras, com outros nomes.<br />
O ser humano sempre cultivou a rede social (offline) e o digital abre para outras possibilidades. Temos muita reflexão para fazer sobre o que queremos fazer com as redes, sobre limites éticos, sobre o tempo que lhe dedicamos, sobre as suas finalidades. Enquanto isso, o comboio avança e não há como parar, não é? Com sorte, evitamos o Trolley Problem (eis um dilema bem interessante e actual para os nossos dias.Toca a googlar!). Ou então não.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/yEecDj0V0BA" width="700" height="560" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com Maria João Condessa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Mar 2021 13:30:38 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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		<category><![CDATA[Maria João Condessa]]></category>
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					<description><![CDATA[Licenciada em Gestão de Empresas, com pós-graduações em Gestão e Avaliação da Formação e Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde, Maria João Condessa, pertenceu também a equipas de gestores dos Fundos Comunitários nos Ministérios da Economia e da Saúde. Em 2011, resolveu mudar de rumo e fundou a MJC Consulting, uma empresa especializada [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Licenciada em Gestão de Empresas, com pós-graduações em Gestão e Avaliação da Formação e Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde, Maria João Condessa, pertenceu também a equipas de gestores dos Fundos Comunitários nos Ministérios da Economia e da Saúde. Em 2011, resolveu mudar de rumo e fundou a MJC Consulting, uma empresa especializada na prestação de serviços de consultoria onde é atualmente CEO e Managing Partner. </em></p>
<p><em>Com mais de 25 anos de experiência na gestão, consultoria e acompanhamento de projetos, faz nesta entrevista um balanço da sua carreira profissional até ao momento, fala da maneira como perceciona o mercado onde atua, ao mesmo tempo que explica todos os desafios que enfrenta diariamente na área de atribuição de fundos&#8230;</em></p>
<p><strong>É licenciada em gestão de empresas. O que a levou a escolher esta área?</strong></p>
<p>MJC- Foi algo muito natural, sempre gostei de “organizar coisas”, desde miúda que gostava de pensar em pequenos negócios, o meu pai era empresário e sempre me estimulou com jogos de aritmética, ele foi também para mim uma grande inspiração.</p>
<p><strong>Pertenceu às equipas dos gestores dos Fundos Comunitários nos Ministérios da Economia e da Saúde (PEDIP, POE, PRIME, Saúde XXI, Organismo Intermédio ACSS). Em que momento decidiu fazer a mudança e passar para o “outro lado” ao fundar a MJC Consulting?</strong></p>
<p>MJC- A minha primeira experiência profissional foi como bolseira do INETI com funções de técnica superior na gestão de projetos com recursos ao financiamento público (PEDIP I), o que veio a marcar o meu percurso profissional. Pertenci a estas equipas com um profundo sentido de serviço público e sempre com o entusiasmo de apoiar as empresas ou outras organizações que recorrem aos financiamentos públicos para os seus investimentos. Aprendi muito e foi um privilégio ter tido a oportunidade de contribuir para a definição das prioridades desta política pública e apoiar as estruturas e as organizações nesse sentido. Todo o processo de crescimento pessoal e profissional requer, por vezes, mudanças de contexto e a vontade de apoiar as empresas e outras organizações de forma mais próxima levou-me a concretizar o atual projeto empresarial e que já vai fazer 10 anos.</p>
<p><strong>Existem diversos apoios a que as organizações e empreendedores podem recorrer. Considera que as pessoas estão informadas sobre os mesmos?</strong></p>
<p>MJC- Há muita informação a circular, nas redes sociais, nos mailings de entidades consultoras e contabilistas certificados aos seus potenciais clientes, a realização recente de webinars e a informação do Portugal 2020 nas diferentes plataformas dos organismos dos sistemas (AD&amp;C, COMPETE, AICEP, IAPMEI, PO Regionais, GAL, …). Outra coisa é dizer que as pessoas se sentem informadas e orientadas sobre as oportunidades de financiamento. A complexidade e diversidade de plataformas e de sistemas de incentivos dificulta a clareza da informação que chega aos diversos públicos alvo, principalmente a empresas com menor dimensão e empreendedores.<br />
É difícil compreender quais os financiamentos mais adequados e o seu acesso sem qualquer apoio de quem que esteja por dentro do sistema.</p>
<p><strong>Quais os principais desafios com que se tem deparado na atribuição de fundos?</strong></p>
<p>MJC- Um dos principais desafios, que não facilita a clareza e simplificação da informação, é a falta de uniformização de critérios nos diferentes organismos, que se deve a falhas de organização e gestão dos organismos, sobretudo na sua coordenação e espírito colaborativo. Lamento dizer, em certos aspetos devíamos estar mais ágeis na gestão de todos os processos, com uma maior liderança na avaliação contínua dos serviços, no feedback dos beneficiários que são os clientes do sistema, ainda que os regulamentos em vigor mantenham a sua complexidade, mesmo após algum esforço na sua simplificação.</p>
<p><strong>Estamos a saber aproveitar mais e melhor os apoios ao nosso dispor?</strong></p>
<p>MJC- Há uma crescente utilização dos apoios dos fundos estruturais por parte das empresas, mais empresas a investirem mais, em diferentes setores de atividade e nas diferentes regiões do país. Os indicadores macroeconómicos que avaliam o efeito destes apoios públicos na economia revelam uma relação positiva nesta utilização, nomeadamente pelo aumento das exportações portuguesas fruto da maior visibilidade dos produtos e serviços portugueses que têm beneficiado de campanhas de marketing internacional muito bem feitas e também pela introdução de inovação e/ou tecnologia nos processos e produtos nacionais, que surgem agora com mais valor acrescentado.</p>
<p>Verifica-se também maior eficiência e eficácia na utilização dos fundos estruturais pelos agentes públicos, decorrente da sua experiência por um lado e também pela necessidade de cumprimento das metas da Estratégia Europa 2020, por outro. De referir que foram estabelecidos para 2020 indicadores de resultados semelhantes para todos os Estados- membros da UE, visando aumentar o emprego, a produtividade e a coesão social no espaço de uma década. Saliento dois pensados para o sistema educativo e formação profissional, áreas chave da GALILEU e que Portugal demonstrou uma fortíssima recuperação: a taxa de abandono escolar de educação e formação passou de 28,3% em 2010 para 10,6% em 2019 (meta é 10% em 2020) e a % de diplomados com ensino superior ou equivalente (30-34 anos) que passou de 24% em 2010 para 36,2% em 2019 (meta é 40% em 2020).</p>
<p><strong>Que qualidades e características identifica nas organizações portuguesas que as tornam únicas e com grande potencial de internacionalização?</strong></p>
<p>MJC- Sem dúvida que as nossas empresas são resilientes e flexíveis, têm um potencial de diferenciação pelos excelentes produtos que oferecem, veja-se o caso do setor agroalimentar ou do turismo. Oferecemos autenticidade, os produtos são genuínos, têm por onde se afirmar. Na produção do azeite tem sido notável o aumento da qualidade e diversidade do produto nacional, quer no azeite de Trás-os-Montes, quer na Região Centro ou Alentejo. Assistimos assim ao consequente aumento da sua exportação, ainda que os azeites italianos e espanhóis tenham maior notoriedade nos mercados internacionais, estamos a ganhar quota de mercado internacional. Também no setor do vinho e no enoturismo; temos vinho de enorme qualidade, podendo diferenciar-se em determinados nichos de mercado com um preço superior. Somos líderes no setor da cortiça, na produção tomate e outros exemplos existirão. Foi feito um trabalho de décadas no setor do calçado muito interessante, com forte liderança associativa, introduziu-se design, acrescentou-se valor ao produto competindo com o mercado italiano (o nosso calçado é o segundo mais apreciado do mundo), coisa que se perdeu no têxtil&#8230;</p>
<p>Acredito também no crescimento do orgulho no nosso País, em ser português, em comprar português. E, sobretudo, na capacidade de as empresas portuguesas trabalharem com outros mercados de diferentes culturas e com a sua naturalidade de aprendizagem na fonética das diferentes línguas, as habilidades de comunicação, a criatividade, e o nosso sentido do “desenrascanço” muito útil em momentos conturbados como este, sendo competências muito valorizadas no presente e no futuro.</p>
<p><strong>Que projeto de internacionalização foi mais desafiante para si e porquê?</strong></p>
<p>MJC- Sem estar a referir nenhum em especial, os projetos mais gratificantes para um consultor são aqueles em que percebemos que ajudámos a criar um produto, a desenvolver uma marca, a promover essa marca num mercado competitivo e perceber os efeitos do apoio de consultoria e do financiamento público, sem os quais não seria possível, ou tão rápido e eficaz concretizar os objetivos desses processos de internacionalização.</p>
<p><strong>Na sua opinião, o que falta nas organizações portuguesas para serem mais competitivas?</strong></p>
<p>MJC- Trabalharem melhor em conjunto, saberem cooperar, trabalharem melhor em dimensão, terem escala…, serem mais competitivos e ágeis em ambientes globais.</p>
<p>Porque razão nos falta esta afirmação? Porque razão não temos a robustez da organização (à alemã), ou a liderança com um sentido mais estratégico de longo prazo? Ou uma confiança aliada à nossa identidade? Trabalharmos bem-comum, no coletivo é um desafio para o nosso ADN.</p>
<p><strong>Enquanto líder, que competências chave identifica na sua equipa para conseguir dar resposta aos diversos desafios do dia a dia?</strong></p>
<p>MJC- Na MJC temos de ser colaborativos. Um líder tem de ter cada vez mais um papel orientador e estimular a autonomia e criatividade dentro das suas equipas, definir um rumo associado à estratégia que pode ser revista com alguma periodicidade, mas dar flexibilidade de atuação às equipas na resolução de problemas. Sempre tive uma abordagem participativa na forma de coordenar as equipas e o meu interesse é saber fazê-lo cada vez melhor. Ao praticarmos internamente na empresa este espírito colaborativo, as equipas também o desenvolvem de forma mais natural no trabalho com o cliente. Acreditamos que somos um apoio permanente às necessidades dos nossos clientes e quanto mais compreendermos isto mais antecipamos essas mesmas necessidades e consolidam-se as relações internas e externas.</p>
<p><strong>Que projetos, pessoais ou profissionais, tem ainda por realizar?</strong></p>
<p>MJC- Estar aberta a novas áreas, setores. A consultoria de gestão tem um enorme potencial por explorar em domínios empresariais vários, basta manter a curiosidade, estar aberto a aprender, a crescer com os clientes. É um privilégio quando sentimos esta utilidade e prazer em trabalhar.</p>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com José Franco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2021 14:30:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer]]></category>
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		<category><![CDATA[José Franco]]></category>
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					<description><![CDATA[Formado na Universidade Lusíada de Lisboa em Business Management, começou como jornalista em 1994, tendo cumprido o seu sonho de trabalhar em mercados financeiros em 1997. Após esta experiência chegou à conclusão que não era algo o suficiente fascinante e apelativo, tendo posteriormente desempenhado outro tipo de funções ligadas à comunicação. Em 2007, fundou a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Formado na Universidade Lusíada de Lisboa em Business Management, começou como jornalista em 1994, tendo cumprido o seu sonho de trabalhar em mercados financeiros em 1997. Após esta experiência chegou à conclusão que não era algo o suficiente fascinante e apelativo, tendo posteriormente desempenhado outro tipo de funções ligadas à comunicação.</em></p>
<p><em>Em 2007, fundou a sua agência de comunicação, a <a href="http://www.corpcom.pt/" target="_blank" rel="noopener">Corpcom</a>, atualmente uma das consultoras de comunicação mais premiadas em Portugal. Além das funções exercidas na Corpcom, José Franco, é também júri em reputados prémios nacionais e internacionais de comunicação, como os Sabre Awards e Cannes Lions.</em></p>
<p><em>Nesta entrevista, desvenda mais acerca de todo o seu percurso profissional, relembrando e fazendo um balanço de todas as etapas, ao mesmo tempo que avalia e faz perspetivas futuras acerca da comunicação nas organizações.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A sua carreira profissional tem estado sempre ligada à comunicação, começando no jornalismo e posteriormente em agências de comunicação, tendo passado por telecoms. Podemos dizer que a sua comunicação é a sua grande paixão? O que o atraiu (e atrai) nesta área?</strong></p>
<p>JF- Curiosamente vim parar a esta indústria de forma acidental. O meu sonho era trabalhar em mercados financeiros. O jornalismo económico, onde comecei em 1994, foi o trampolim adequado para chegar lá. Acontece que quando cheguei aos mercados, descobri que a análise financeira era aborrecida e nem tinha muito jeito e muito menos vontade para passar um dia inteiro à volta de folhas de Excel e a fazer research. Felizmente acabei por desempenhar outras funções e que me permitiram manter uma ligação ao jornalismo, aos conteúdos, e às ferramentas de marketing e comunicação. Depois trabalhei nas empresas, com o pelouro das “corpcomms”. Sempre ambicionei trabalhar no cliente ou até voltar para o jornalismo, mas acabei por ficar neste fascinante mundo da comunicação. A minha maior paixão é potenciar oportunidades e resolver problemas. A comunicação é uma área onde isto acontece todos os dias, logo estou no sítio certo.</p>
<p><strong>A sua formação em gestão de empresas tem sido útil para passar a mensagem das organizações com que trabalha? Em que aspetos?</strong></p>
<p>JF- Sem dúvida, apesar de ter aprendido mais no jornalismo económico que no curso superior de gestão. O curso deu-me naturalmente recursos para perceber de negócios, de conceitos económicos e financeiros, de gestão de pessoas e de marketing, mas o jornalismo económico amplificou essa formação. Hoje os meus clientes são maioritariamente empresariais pelo que falamos na mesma língua.</p>
<p><strong>Em 2007 fundou a agência de comunicação Corpcom. Esperava alguma vez vir a gerir a sua própria organização?</strong></p>
<p>JF- Quando sai da OniWay (quarto operador móvel 3G que fechou antes de abrir), em janeiro de 2003, passei uns quantos meses a desenhar várias startups. Uma de trotinetes elétricas para turismo com um modelo de negócio de publicidade, uma plataforma para aulas de guitarra online, e umas quantas outras ideias. Mas acabei por aceitar ir trabalhar para uma agência porque me foi dada a hipótese de ter sociedade. Nunca tive grande vontade de ir para agência e acima de tudo não queria ser assalariado, queria assumir risco. Como isso acabou por não acontecer, aos 35 anos, e depois de uma carreira sólida, acabei por fundar a minha própria agência, com um laptop e um telefone. Uma decisão acertada.</p>
<p><strong>O que o levou a tomar a decisão de fundar a sua empresa de comunicação?</strong></p>
<p>JF- Acima de tudo, provar a mim mesmo que conseguia empreender, criar, fazer crescer. Podia ter sido a fundar uma Corpcom ou outro negócio. Já tinha experiência suficiente e bastante conhecimento para poder fundar um negócio. Em 2006, ainda montei uma representação de plataformas de marketing digital pois sabia que esse seria um mercado de futuro. Um ano mais tarde acabei por fundar a Corpcom, depois de muitas solicitações de clientes, e até de jornalistas. Conciliei os dois negócios até 2010, foi aí que decidi apostar apenas na Corpcom, devido ao êxito que estávamos a ter, recrutando pessoas e gerindo equipas.</p>
<p><strong>Tem trabalhado com muitas tecnológicas e startups. Foi um acaso ou é uma área para a qual sinta particular apetência?</strong></p>
<p>JF- Sempre estive perto da tecnologia e das startups, por exemplo, quando trabalhei no mercado financeiro, entre 1997 e 2000, e acompanhei toda a bolha das “dotcom” e muitas startups portuguesas. Mas há 10 anos, quando Portugal foi intervencionado pelo FMI, e a geração à rasca saiu à rua, achei que a minha missão deveria apoiar a nova geração de empreendedores que estava a aparecer. Por isso, juntei-me à Beta-i, hoje a mais importante organização do nosso ecossistema, com a missão de mudar mentalidades através da comunicação, da divulgação dos eventos e dos aceleradores. Convencer os diretores dos jornais a acompanhar o que estava o José Neves a fazer e não o Zeinal Bava, uma missão ingrata. Não tinha dúvidas que as grandes empresas iriam nascer nesta década criadas por incríveis empreendedores que hoje vêm as suas empresas a valer mais do que os pesos pesados do PSI20. São hoje o cartão de visita de Portugal, hoje respeitado e admirado pelo mundo em particular no campo da tecnologia.<br />
Missão cumprida.</p>
<p><strong>Quais os maiores desafios de trabalhar organizações de áreas tecnológicas?</strong></p>
<p>JF- Não são muito diferentes de outras indústrias. Na comunicação, aplicamos as mesmas metodologias a uma empresa de alta tecnologia complexa, ou de um produto de beleza ou de moda. No caso das organizações tecnológicas portuguesas a área mais desafiante é o employer branding. São empresas que mais do que negócio, procuram ser admiradas e atrair talento. Concorrem todas umas com as outras. Continuo a achar que a tecnologia irá ser a base dos negócios, logo é uma indústria de futuro. E hoje, com a pandemia, tudo o que potencia a transformação digital está em alta. A comunicação é cada vez mais importante para estas empresas, como para muitas outras indústrias essenciais ao desenvolvimento do país e que estão a sofrer uma conjuntura difícil.</p>
<p><strong>E quais os projetos de que mais se orgulha?</strong></p>
<p>JF- Orgulham-me mais as pessoas do que os projetos, em particular da minha equipa, dos que trabalham e já trabalharam comigo, e dos clientes que nos depositam diariamente a sua credibilidade e confiança na Corpcom.<br />
Em relação a projetos, além de termos feito parte de um movimento que mudou a perceção sobre as nossas capacidades individuais e coletivas ao ponto de criar e erguer empresas globais, quando parecia que todos os jovens tinham atirado a toalha ao chão, há outros projetos que me orgulho em apoiar, como o caso do Apps for Good, que foi agora premiado pela UNESCO, ou o Manicómio, projeto de impacto social e artístico na área da saúde mental.</p>
<p><strong>Muita coisa mudou na forma como comunicamos nestes 13 anos. Quais são, para si, as grandes diferenças? Quais foram os principais fatores “game changer” na comunicação das organizações neste período?</strong></p>
<p>JF- A digitalização e transformação dos media e da indústria dos conteúdos. Há 13 anos havia meia dúzia de utilizadores do Facebook em Portugal e apareceu o iPhone. Eu ainda sou do tempo em que os press release seguiam por fax e o email era coisa de luxo só acessível por alguns.<br />
Toda a nossa forma de comunicar mudou, os modelos de negócios da indústria de conteúdos, do marketing e da publicidade também mudaram.<br />
A tecnologia mudou definitivamente o mundo da comunicação, tal como mudou toda a nossa vida quotidiana. A área de Relações Públicas foi-se adaptando e é ainda mais valorizada pois qualquer organização, marca ou pessoa tem que comunicar de forma estruturada com diferentes públicos, seja de forma mais tradicional ou através de canais próprios, incluindo o digital.</p>
<p><strong>Tem integrado o júri em prémios nacionais e internacionais de comunicação, como os Sabre Awards e Cannes Lions. Como avalia o trabalho que se faz atualmente nesta área?</strong></p>
<p>JF- Muito positivo. É interessante ver que os grandes projetos vencedores nem sequer são de agências tradicionais de Relações Públicas mas de agências de publicidade através da criatividade. Isso significa que ainda temos muito para fazer, e melhorar, criando projetos de grande impacto que podem mudar comportamentos e perceções.</p>
<p><strong>Quais considera ser os maiores entraves ao surgimento e desenvolvimento de boas ideias e que conselhos tem para os ultrapassar?</strong></p>
<p>JF- Vejo muita falta de coragem em avançar com projetos ou iniciativas que vão além do que é convencional ou que nunca foram feitas. Em Portugal copiam-se ideias que já tem provas dadas, ainda existe muito medo de fazer diferente e poder falhar. Só depois dos outros fazerem, é que as boas ideias são reutilizadas. Isso acontece no ativismo das marcas, quando se abraça uma causa polémica. Ou por exemplo na indústria dos patrocínios, ninguém apostou no desporto motorizado, no Miguel Oliveira ou no António Felix da Costa. Agora todas as marcas estão atrás deles. Curiosamente, em 2007, colocamos um e outro num mano a mano de um jogo para a Xbox, tinham eles 12 anos, frente a uma plateia de jornalistas. Falta visão e coragem.</p>
<p><strong>Como vê área da comunicação daqui a 10, 20 anos?</strong></p>
<p>JF- Será certamente multiplataforma e integrada com outras áreas, e com um peso maior nos canais digitais, onde o “own media” será preponderante, com conteúdos e canais próprios, utilizando dados e plataformas.</p>
<p><strong>Voltando um pouco atrás, se não trabalhasse em comunicação o que gostaria de fazer?</strong></p>
<p>JF- Trabalharia em qualquer área onde a comunicação pudesse acrescentar valor. No turismo, na cultura, lançando negócios ou até projetos sociais. Tirando isso, passou-me uma carreira musical ao lado.</p>
<p><strong>Que planos ainda tem e não realizou?</strong></p>
<p>JF- Deixo que o presente me encaminhe para o futuro, sem olhar muito para trás. Como já plantei muitas árvores, e já tive filhos, falta-me escrever um livro. Talvez em 2021.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/tjcywf-GDWA" width="700" height="560" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com Tomaz Morais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Feb 2021 14:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer 11]]></category>
		<category><![CDATA[Tomaz Morais]]></category>
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					<description><![CDATA[Licenciado em Educação Física, foi um ex-jogador internacional de rugby, mas foi como selecionador e treinador nacional da modalidade que atingiu um maior patamar de notoriedade, tendo conseguido alcançar os maiores feitos internacionais da história do rugby português. Em 2010, deixa o cargo, que ocupava já desde 2001 para assumir funções como Diretor Técnico da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Licenciado em Educação Física, foi um ex-jogador internacional de rugby, mas foi como <strong>selecionador e treinador nacional da modalidade que atingiu um maior patamar de notoriedade</strong>, tendo conseguido alcançar os <strong>maiores feitos internacionais da história do rugby português</strong>. Em 2010, deixa o cargo, que ocupava já desde 2001 para assumir funções como <strong>Diretor Técnico da Federação Portuguesa de Rugby</strong>.</em></p>
<p><em>As suas <strong>capacidades comunicacionais</strong> permitiram-lhe que desempenhasse outras funções como <strong>professor universitário e palestrante</strong> organizador de ações de formação em empresas sobre <strong>gestão de equipas, liderança, motivação</strong>.</em></p>
<p><em>Mais recentemente assumiu funções no Sporting Clube de Portugal onde é o <strong>Diretor do Futebol de Formação da Academia</strong>.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A ida para as seleções nacionais de rugby de 15, sevens, sub-20 e sub-21, foi uma escolha espontânea ou foi condicionada ou incentivada por algum acontecimento na sua vida?</strong></p>
<p>TM- Comecei a colaborar com a FPR a convite de uma pessoa com responsabilidades diretivas que acreditou que o meu trabalho e a minha liderança poderiam ser aquilo que as nossas seleções precisavam no momento. Comecei com a Seleção de XV e Sevens, o restante veio por inerência da função que já exercia.</p>
<p><strong>Pela sua mão, Portugal venceu em 2004 o &#8220;Torneio das Seis Nações B&#8221; em 15 e a equipa de sevens conquistou cinco campeonatos da Europa. De que forma a sua liderança teve impacto nestes resultados?</strong></p>
<p>TM- Qualquer liderança tem impacto na escolha de um caminho estratégico, na motivação e no compromisso de quem faz parte da equipa. Como elemento da equipa, o líder é o principal responsável por criar orientação, através do estabelecimento de uma visão e definição de objetivos, e de agregar todos sem exceção, cada um no seu papel, rumo a esse destino. Se um líder, através do seu exemplo, não conseguir chegar a todos passando a sua mensagem e conquistando cada contributo dificilmente tem a equipa a rumar no mesmo sentido e com o ritmo necessário para se concretizar a missão. Sempre tentei incutir muita alma e atitude nas minhas equipas, através da estimulação do espírito de sacrifício, do estímulo de boas relações, de uma comunicação fluida e assertiva que os levasse a acreditar na superação e na força do “Crer”. Em conjunto percebemos que a paixão com trabalho duro nos iria trazer grandes alegrias para deixarmos um legado.</p>
<p><strong>Na área desportiva, na sua opinião, quais as “regras de jogo” (game changer, tal como o nome da revista) que necessitam ser alteradas?</strong></p>
<p>TM- Todas as que não façam a equipa ser eficaz, que promovam o individualismo excessivo, o egocentrismo e que não a faça funcionar para a razão objetiva para a qual foi criada. Uma equipa nunca está totalmente concretizada, ela é um sistema dinâmico que tem que ser constantemente ajustado para conseguir a adaptação necessária às adversidades que continuamente surgem ao longo da vida de uma equipa. Acredito que em equipa podemos atingir tudo se efetivamente trabalharmos como um só!</p>
<p><strong>Há alguns anos que se iniciou como palestrante em empresas. O que o motivou a dar palestras?</strong></p>
<p>TM- Inicialmente um pedido de um amigo que me desafiou a falar para a empresa onde trabalha, pediu-me que fizesse uma comparação entre o mundo desportivo de alto rendimento e a vida empresarial. A experiência correu bem e foram surgindo mais desafios nesta área. Hoje o que me motiva são essencialmente as pessoas com quem partilho a minha experiência. Gosto muito de comunicar e isso, em si mesmo, é a maior das motivações.</p>
<p><strong>Quais os principais desafios que encontra nas organizações por onde tem passado?</strong></p>
<p>TM- As empresas com quem tenho colaborado pedem-me que fale de diferentes temas que me apaixonam: Equipas! Liderança! Pessoas! Superação! Atitude… O principal desafio por vezes são as condicionantes que me colocam, como o tempo disponível ou condições de espaços, onde tenho de fazer essas intervenções&#8230;</p>
<p><strong>Qual o desporto da sua vida?</strong></p>
<p>TM- Todo o que me faça sair da minha zona de conforto mas sem duvida o Rugby enquanto jogador e o Padel que pratico quando a agenda permite, são duas grande paixões das quais não abdico. A indústria do futebol tem sido a todos os níveis desafiante, apaixonante do ponto vista estratégico e funcional.</p>
<p><strong>Quais as skills que destaca como sendo um fator diferenciador e que lhe permitiram ser nomeado em 2004 para &#8220;Melhor Treinador do Mundo&#8221; pela Internacional Rugby Board?</strong></p>
<p>TM- O pensamento criativo, a liderança partilhada e a empatia que consegui com os meus atletas, a comunicação interna e externa que precisámos para conseguir alcançar os nossos feitos, o rigor e a determinação que impusemos na luta pelos nossos objetivos… mas claro sem a paixão de vestir e sentir a camisola nenhum skill funciona.</p>
<p><strong>Que balanço faz dos últimos 10 anos da sua carreira profissional?</strong></p>
<p>TM- Muito positivos em todas áreas das minhas atividades profissionais, acho que tive uma capacidade excecional de explorar e conhecer bem as minhas competências. Soube potenciá-las e com isso conquistar bons resultados.</p>
<p><strong>Daqui a dez anos como se vê? Gostaria de fazer algo diferente ou complementar a carreira com outra área?</strong></p>
<p>TM- Mais forte pessoal e profissionalmente. Quero evoluir em todas as áreas mantendo-me atualizado, com uma vontade diária de aprender, e a ambição de sempre. Nunca coloquei limites àquilo que faço por isso gosto de viver de braços abertos para acolher todos os desafios e oportunidades!</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/qqippq9-NAk" width="700" height="560" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com Cristina Fonseca</title>
		<link>https://galileu.pt/blog/game-changer-11-entrevista-com-cristina-fonseca/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Feb 2021 14:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Cristina Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer 11]]></category>
		<category><![CDATA[Talkdesk]]></category>
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					<description><![CDATA[Licenciada em Telecomunicações e Engenharia de Redes no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa em 2010, optou no ano seguinte pela criação da sua própria empresa, fundando juntamente com Tiago Paiva, a Talkdesk, uma empresa portuguesa que oferece soluções inovadoras para contact-centers e que ascendeu ao patamar de unicórnio com uma avaliação superior a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Licenciada em Telecomunicações e Engenharia de Redes no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa em 2010, optou no ano seguinte pela criação da sua própria empresa, fundando juntamente com Tiago Paiva, a <strong>Talkdesk</strong>, uma empresa portuguesa que oferece soluções inovadoras para contact-centers e que <strong>ascendeu ao patamar de unicórnio com uma avaliação superior a mil milhões de euros</strong>.</em></p>
<p><em>Em 2016 sai da empresa juntamente com o seu ex-sócio, precisamente no mesmo ano em que <strong>entra na lista europeia “30 under 30” da Forbes</strong>.</em></p>
<p><em>Posteriormente, Cristina Fonseca torna-se <strong>parceira de risco no Indico Capital Partners</strong>, o<strong> primeiro fundo privado de capital de risco português a investir em startups</strong> com foco na tecnologia em Portugal e Espanha.</em></p>
<p><em>Atualmente, é considerada <strong>uma da</strong>s <strong>50 mulheres mais influentes da Europa na área tecnológica</strong> e aborda um pouco do seu percurso e da sua visão do setor nesta entrevista.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>É uma das mulheres mais bem sucedidas no setor tecnológico português e até internacional. Como se vê neste contexto?</strong></p>
<p>CF- O sucesso é muito relativo, mas sinto alguma responsabilidade por continuar a fazer um trabalho relevante na minha área.</p>
<p><strong>Mulheres e tecnologia é um tema cada vez mais falado. Estamos a falar de uma área onde mais cedo poderemos ver igualdade, a vários níveis, incluindo salarial?</strong></p>
<p>CF- Ainda há muito por fazer, mas a boa notícia é que nos últimos anos este passou a ser um tema ao qual se dá algum destaque e importância e, por isso, em muitos casos há um esforço consciente para mudar situações de desigualdade.</p>
<p><strong>O que falta a Portugal para ter mais mulheres de êxito?</strong></p>
<p>CF- Temos algumas mulheres com histórias incríveis de sucesso mas, genericamente, falta o que faltam em outros países &#8211; mais exemplos, menos enviesamento na educação na infância e adolescência, mais confiança das próprias mulheres para arriscarem e o suporte de alguns homens que as rodeiam.</p>
<p><strong>Saiu da Talkdesk, um unicórnio de sucesso, e hoje dedica-se à área de investimentos. Como é estar do outro lado e avaliar potenciais negócios de êxito?</strong></p>
<p>CF- É um trabalho muito diferente mas muito gratificante. A avaliação dos projetos é só uma das componentes do nosso trabalho. Além disso, temos obviamente que fazer fundraising porque é isso que nos permite ter capital para investir e das coisas mais importantes é acompanhar os projetos e trabalhar com as empresas em que investimos.<br />
São as 3 atividades deste negócio, todas com a sua relevância.</p>
<p><strong>O que mais valoriza numa ideia, numa startup?</strong></p>
<p>CF- As ideias por si só têm pouco valor &#8211; das coisas que mais valorizo numa startup são a equipa e a capacidade de execução, essas são as coisas mais importantes, sobretudo em empresas em estágio inicial.</p>
<p><strong>As empresas corporate têm muito a aprender com as startups? A que níveis?</strong></p>
<p>CF- Ambos têm muito a aprender uns com os outros. As corporate poderiam beneficiar de mais agilidade, sentido de urgência e, individualmente, poderia haver mais ownership dos problemas. Por outro lado, as startups poderiam beneficiar dos processos, estrutura, boas práticas de governance. Claramente não há uns melhores que outros, têm desafios diferentes e podiam beneficiar dos ensinamentos uns dos outros.</p>
<p><strong>Portugal já tem um ecossistema de startups robusto ou só o terá quando pessoas como a Cristina começarem a reinvestir nele?</strong></p>
<p>CF- Portugal ainda está numa fase bastante embrionária em termos de ecossistema empreendedor. Apesar dos progressos dos últimos anos, ainda temos um volume de investimento baixo, o número de startups a serem criadas não tem crescido (sem ter dados que suportem isto diria até que tem diminuído) e os casos de sucesso ainda não atingiram a maturidade. Precisamos de fechar o ciclo para que o ecossistema seja relativamente robusto.</p>
<p><strong>Como avalia a sua geração? Até onde podemos contar com o talento luso? E o que poderemos fazer para aumentar essas capacidades e skills das novas gerações?</strong></p>
<p>CF- Faço parte de uma geração altamente instruída, que cresceu com acesso desmedido a informação através da internet, que estudou fora e que teve experiências internacionais de estudo, trabalho e muitas viagens.</p>
<p>Por isso, tornou-se uma geração impaciente, ambiciosa, idealista e sedenta de criar impacto para além das fronteiras portuguesas. Em Portugal, o nosso contexto socio-económico ensinou-nos a “desenrascar”, somos trabalhadores e, por isso, não ficamos atrás da força de trabalho de outras geografias.</p>
<p>O talento luso está ao mais alto nível, mas acho que ainda não há oportunidades suficientes e suficientemente desafiantes em Portugal para desenvolver ainda mais esse talento. Se quisermos estar preparados para o futuro temos de estar a trabalhar com as tecnologias mais recentes, a resolver os problemas mais desafiantes, a colocar as nossas organizações ao nível dos pares internacionais.<br />
Para isso falta-nos olhar mais lá para fora, ser mais ambiciosos, criar mais marcas distintas e promovê-las pela qualidade e não pelo baixo preço que, de certa forma, caracteriza a nossa economia. E temos naturalmente de fazer tudo isto com uma visão de mais longo prazo.</p>
<p><strong>Na sua formação, o que lhe falta fazer?</strong></p>
<p>CF- Falta muita coisa, sobretudo porque acredito que a cada década que passa, para além da experiência acumulada, também percebemos que a velocidade a que o mundo está a evoluir nos traz lacunas que vamos tendo de colmatar. Por isso, acredito em formação contínua para além de serem necessárias formações específicas dependendo dos desafios da carreira. Mas talvez um dia ainda faça um doutoramento.</p>
<p><strong>O que queria ser quando era pequena? Esse sonho ainda pode acontecer?</strong></p>
<p>CF- Nunca tive opiniões muito fortes em relação ao que queria ser e por isso a resposta não era óbvia nem fácil. Mas quando insistiam mesmo, a minha resposta eram coisas como astronauta ou piloto de aviões.</p>
<p><strong>Qual foi o momento em que resolveu enveredar pela sua carreira profissional? Foi uma escolha espontânea ou foi condicionada ou incentivada por algum acontecimento na sua vida?</strong></p>
<p>CF- Foi uma escolha espontânea e muito curiosa, eu sabia que queria estudar engenharia mas não tinha a certeza em relação a especialização. Acabei por decidir com base em algo sobre o qual tinha curiosidade e que achava que seria bastante relevante num futuro próximo. Pareceu-me um critério de decisão tão bom quanto os dos meus colegas que, aos 18 anos, têm teorias elaboradas ou certezas muito sólidas em relação ao caminho que querem seguir.</p>
<p><strong>Como e onde se vê daqui a 10 anos?</strong></p>
<p>CF- Não estarei a fazer nada fundamentalmente diferente do que faço hoje. Até porque resolver um problema demora 10 anos e ainda agora começámos. Espero continuar a investir em novos negócios e termos alguns casos de sucesso no nosso portfólio!</p>
<p><strong>Que balanço faz dos últimos 10 anos?</strong></p>
<p>CF- O balanço dos últimos 10 anos é extremamente positivo. Em 2010 terminei o curso e criei a Talkdesk que hoje se tornou um negócio de sucesso e que criou já quase 1000 empregos. Hoje, dedico a maioria do meu tempo a ajudar a criar e a escalar empresas semelhantes e a tentar ser um “enabler” de oportunidades na área tecnológica nesse aspecto. Não poderia estar mais feliz com o meu percurso profissional até aqui.</p>
<p><strong>Olhando para trás, mudaria alguma coisa neste percurso?</strong></p>
<p>CF- Não creio que mudasse nada, há coisas que gostaria de ter feito de forma diferente como estudar lá fora, por exemplo. Mas nenhuma delas é algo que eu mudasse. Por norma também não acho que deva olhar para trás, o que está ao nosso alcance mudar está lá na frente.</p>
<p><strong>Gostaria de fazer algo diferente ou complementar a sua carreira com outra área?</strong></p>
<p>CF- Não me faltam coisas que gostasse de fazer! Infelizmente o tempo não estica de todo, portanto vou escolhendo as que acho que têm mais relevância a cada momento.</p>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com Rui Correia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Feb 2021 14:00:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer 11]]></category>
		<category><![CDATA[Rui Correia]]></category>
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					<description><![CDATA[Formado na área de gestão e administração de empresas, participou em diversos projetos que lhe permitiram ter uma melhor perceção da realidade das empresas e das suas necessidades, identificado dessa forma oportunidades que poderiam ser colmatadas, a falta de formação por parte das empresas e a grande diferença entre a teoria ensinada no percurso académico [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Formado na área de gestão e administração de empresas, participou em diversos projetos que lhe permitiram ter uma melhor perceção da realidade das empresas e das suas necessidades, identificado dessa forma oportunidades que poderiam ser colmatadas, a falta de formação por parte das empresas e a grande diferença entre a teoria ensinada no percurso académico e a realidade prática nas organizações. Daí partiu a construção de um projeto, a criação do grupo Rumos, do qual Rui Correia é Presidente e CEO há 28 anos.</strong></em></p>
<p><em>Nesta entrevista, menciona como tudo surgiu, como conduziu o projeto ao sucesso, o que mais se orgulha, o que ainda pretende realizar, e quais são os próximos passos a seguir&#8230;</em></p>
<p><strong>O seu percurso profissional está, há 28 anos, intimamente ligado com o do Grupo Rumos – Knowledge Sharing. Quais eram, há 28 anos atrás, os seus objetivos pessoais e profissionais e em que medida foram divergindo do trajeto efetivamente realizado?</strong></p>
<p>RC- Nos últimos anos do meu curso superior na área da gestão e administração de empresas, à data com 5 anos de duração, muitas ideias e oportunidades existiam, mas como quase tudo na vida, “o caminho faz-se caminhando” e aproveitando convites de professores do ISCTE e IST, tive a grande oportunidade de participar em projetos muito próximos e ligados à realidade das empresas. Através de centros de estudo universitários muitos focados na ligação universidade empresas, consegui criar uma ideia muito clara da estrutura empresarial<br />
real à época, da enorme falta de formação existente ao nível das empresas e do gigantesco “GAP” entre a teoria ensinada nas Universidades e as necessidades práticas das empresas. Estamos a falar de um outro país, onde apenas uma pequena percentagem conseguia acesso ao ensino superior, muito diferente de hoje, muito mais cinzento e formal, bastante mais pobre e sobretudo muito menos confiante, amarrado a traumas e muito afastado de conceitos de empreendedorismo e inovação.</p>
<p>Conseguimos com muitas voltas e curvas construir um projeto, <strong>RUMOS</strong> que hoje tem mais de uma dezena de empresas e mais de 1000 colaboradores, e onde todos os dias continuamos a arquitetar e a evoluir o que tem permitido manter a chama da motivação e contribuição para a sociedade.</p>
<p><strong>Foi uma escolha espontânea ou foi condicionada/ incentivada por algum acontecimento na sua vida?</strong></p>
<p>RC- Para mim foi sempre muito claro, queria participar profissionalmente em algo que viesse promover e construir algo diferente do que exista no mercado. Alargar horizontes e desenvolver novas ofertas e interesses. Nunca ambicionei ser mais um concorrente no mercado e dividir a procura existente entre concorrentes.</p>
<p><strong>Que características pessoais e profissionais considera que foram essenciais para o seu sucesso? E da organização?</strong></p>
<p>RC- Resiliência, persistência e foco no que é realmente importante dentro dos valores e motivações pessoais e do conjunto de pessoas da organização.</p>
<p>Não foi nem é fácil, nunca é confortável resistir a ofertas de emprego e empresariais, ditas “sólidas e seguras” de empresas nacionais e internacionais, e continuar a participar e promover projetos mais de raiz em áreas tecnológicas, envolvendo consultoria, educação, formação e certificação profissional de nível e reconhecimento internacional.</p>
<p><strong>Qual o balanço que faz do percurso realizado; pelo Rui e pelo grupo?</strong></p>
<p>RC- Sinceramente, não faço grandes balanços estou mais focado no futuro que é bastante desafiante e ainda mais no contexto atual de saúde pública e alteração de fundamentos económicos e sociais.</p>
<p>Na medida em que nunca ambicionamos ser só mais um concorrente no mercado e dividir a procura existente entre concorrentes, a avaliação do percurso é bastante interessante. Não é fácil encontrar comparáveis no mercado com o nosso projeto, somos diferentes, mantemos solidez no caminho e continuamos a desafiar-nos em áreas de exploração onde as oportunidades de crescimento e de valor para a sociedade são muito grandes e diferenciadoras&#8230; e procurar continuar a ligar e fazer pontes entre áreas “não óbvias e lineares” sobretudo antes de serem realizadas.</p>
<p><strong>De que mais se orgulha quando olha para o seu percurso?</strong></p>
<p>RC- O sempre termos privilegiado o verdadeiro desenvolvimento das PESSOAS, esse é o resultado que mais me orgulha&#8230; ao longo destes anos são dezenas de milhares de pessoas que aos mais variados níveis conseguimos “tocar” e profundamente ajudar a desenvolver e fortalecer.</p>
<p><strong>O que gostaria de fazer/realizar que ainda não conseguiu?</strong></p>
<p>RC- Não tanto a nível pessoal nem mesmo da empresa, mas mais ao nível associativo, não consegui contribuir como gostaria para organizações empresarias ou políticas fortes, sérias e focadas. São muitos os projetos que não têm consciência que a ética tem de vir antes do negócio, que as empresas são comunidades, onde as pessoas criam hábitos, defendem valores e se desenvolvem como profissionais e cidadãos.</p>
<p>As empresas devem esses valores de volta à sociedade, e apesar de muito bons exemplos, o maior problema continua a ser a qualidade na gestão nas empresas e no estado.</p>
<p><strong>O Grupo Rumos – Knowledge Sharing, está focado na criação e partilha de conhecimento. Nestas quase 3 décadas, quais foram as maiores inovações e contribuições do grupo para essa partilha de conhecimento?</strong></p>
<p>RC- É claro e unanimemente reconhecido a falta de Recursos Humanos especializados nas áreas tecnológicas. Esta realidade é de ontem, de hoje e será de amanhã, na medida em que Portugal se vai fortalecendo como um Cluster importante na nesta área na Europa. Esta necessidade é conhecida, sentida e propalada.</p>
<p>Mais que analisar, nós centramos a nossa atividade e orientamos os nossos colaboradores e clientes, pessoas e organizações, formando-as, certificando-as e fomentando nas equipas de projeto a importância da colaboração e partilha de know-how, entre todos os intervenientes, promovendo formas que tornem mais fácil para indivíduos, equipas e organizações trabalharem juntos a fim de contribuírem para o sucesso uns dos outros na sociedade do conhecimento de hoje.</p>
<p>Não é fácil encontrar alguma organização em Portugal que não tenha pelo menos um recurso que não tenha passado de alguma forma pelo nosso projeto.</p>
<p><strong>Entre as suas 3 sub-holdings empresariais (Education, Training e Consulting), e principais áreas de negócio, o Grupo é responsável, anualmente, pelo desenvolvimento e preparação de milhares de profissionais e organizações em todo o país. Sente o peso dessa responsabilidade? De que forma?</strong></p>
<p>RC- Sim, é verdade, existe essa noção de responsabilidade e é forte. No fundo é o compromisso que temos como organização.</p>
<p>Todo o nosso planeamento anual e plurianual procura ter como foco todos os grupos interessados na empresa e a sociedade em geral. Não é fácil, mas é nossa responsabilidade, na medida do possível, contribuir para com o desenvolvimento económico nas comunidades em que atuamos. Mais que só um desígnio estratégico, é uma obrigação para com a nossa sobrevivência como grupo relevante. Os consumidores e os vários interessados, cada vez mais não aceitam apenas o discurso de organizações que se denominam éticas. Cada vez mais avaliam, analisam, distinguem e dão prioridade a todas aquelas que de facto, colocam a responsabilidade social em prática.</p>
<p>A retenção e atração de talento qualificado, o envolvimento no seu desenvolvimento, motivação, na sua segurança, saúde (muito especialmente nesta fase pandémica) e manutenção do retorno justo e sustentável para colaboradores, financiadores e acionistas são elementos fundamentais, mas bastante mais fácil de enunciar do que executar.</p>
<p>Mas é a sua concretização na prática de quase duas décadas que nos dá força e motivação para continuar a ajustarmo-nos e adaptarmo-nos às mudanças globais e continuar a levar em conta o interesse de todos os envolvidos nas obrigatórias evoluções e adaptações nos negócios. Cremos teimosamente em continuar a manter relacionamentos saudáveis, com parceiros, concorrentes e coopetidores, fornecedores e consumidores, sermos elementos ativos e diferenciadores na construção de valor nos nossos ecossistemas.</p>
<p><strong>Quais foram os principais momentos “Game Changer” na sua organização e de onde surgiram? (internamente, do mercado, da sociedade…)</strong></p>
<p>RC- A adaptação, as alterações a MUDANÇA. Foram vários os momentos de transformação organizacional, por motivos internos e externos sempre associados aos ciclos económicos, momentos duros e intensos, esses foram sempre os momentos “Game Changer”, alturas várias que serão sempre a essência de uma organização que aprende, que aplica os seus esforços constantes para se aprimorar para os desafios e oportunidades.</p>
<p><strong>Que conselhos daria aos futuros profissionais que se preparam para entrar no mercado de trabalho?</strong></p>
<p>RC- Mais que conselhos, posso fazer algumas constatações e sugestões. Todas as profissões do futuro vão ter um fator em comum: a inclusão na sociedade crescentemente suportada em tecnologia e que vai continuar a aumentar exponencialmente&#8230;</p>
<p>Acredito que os processos na sociedade tendem a tornar-se mais inteligentes e automatizados. Assim, é provável prever que quanto mais operacional e repetitiva for determinada ocupação, mais tenderá a desaparecer ao longo dos anos.</p>
<p>Pensar em carreiras futuras pode significar prognosticar o que estará em alta e dará retorno financeiro satisfatório daqui a alguns anos. Mas o conceito de retorno financeiro por si só é duvidoso e carreiras no futuro serão com certeza mais voláteis.</p>
<p>FOCO no que o faz mais feliz!</p>
<p>Defina o que realmente gosta. Pode não parecer, mas muitas vezes é o mais difícil. Depois aprenda e treine colaborativamente e experimente&#8230;</p>
<p>Mude, mude se for caso disso&#8230; Quando descobrir o quer mesmo&#8230;junte os seus gostos às suas melhorescompetências e NÃO HESITE&#8230; Aposte TUDO a fundo&#8230;</p>
<p>Esse normalmente é o segredo de um profissional feliz e o mundo necessita de bons profissionais e de pessoas felizes.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/atnuYtlegaw" width="700" height="560" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com Alexandre Quintanilha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Feb 2021 14:22:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Quintanilha]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer 11]]></category>
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					<description><![CDATA[Nascido no decorrer do ano de 1945 em Lourenço Marques, em Moçambique, Alexandre Quintanilha completou o seu Doutoramento em Física em 1972, na Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo. Posteriormente, mudou-se para a Universidade da Califórnia em Berkeley, onde trabalhou durante perto de duas décadas e desenvolveu investigações sobre stress celular. Ainda em Berkeley, construiu e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nascido no decorrer do ano de 1945 em Lourenço Marques, em Moçambique, <strong>Alexandre Quintanilha</strong> completou o seu <strong>Doutoramento em Física</strong> em 1972, na Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo. Posteriormente, mudou-se para a Universidade da Califórnia em Berkeley, onde trabalhou durante perto de duas décadas e desenvolveu <strong>investigações sobre stress celular</strong>.</em></p>
<p><em>Ainda em Berkeley, construiu e fundou um centro interdisciplinar de estudo sobre os<strong> Efeitos Atmosféricos e Biosféricos das Tecnologias</strong> num dos mais prestigiados laboratórios dos EUA. No início dos anos 90, torna-se professor da Universidade do Porto onde funda o<strong> Instituto de Biologia Molecular e Celular</strong>.</em></p>
<p><em>Professor catedrático jubilado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, publicou diversos artigos em revistas científicas de nível mundial sendo ainda coordenador e autor de vários trabalhos nas áreas da Biologia, do Ambiente e da Física Aplicada.</em></p>
<p><em>Em entrevista à Game Changer, dá a conhecer um pouco mais de si, mencionando os <strong>maiores desafios que enfrentou</strong>, ao mesmo tempo que faz um <strong>balanço da sua preenchida e bem-sucedida carreira</strong>.</em></p>
<p><strong>Quando/Como surgiram os planos de começar a trabalhar na área da ciência?</strong></p>
<p>AQ- Talvez em vários momentos, que se foram mutuamente reforçando. Tínhamos um microscópio muito antigo em nossa casa e lembro-me perfeitamente da primeira vez que o meu pai me mostrou organismos microscópicos que tinha recolhido de um pequeno lago de jardim. Fiquei com uma enorme curiosidade por esse mundo invisível a olho nu. Nas noites sem luar, íamos muitas vezes para a praia, maravilhados pelo espetáculo da Via Láctea, das diferentes constelações, dos planetas e do mistério da imensidão do universo.</p>
<p>Mais tarde lembro-me de ficar fascinado com vários aspetos da matemática que o meu pai partilhava comigo, tirados dum livro espantoso que ele relia frequentemente: “Mathematics for the Million” de Lancelot Hogben.</p>
<p>Recordo a atração pela elegância da trigonometria, mas também da cristalografia e da paixão pela disciplina de geometria descritiva nos anos finais do liceu. Até aos 14 anos era um aluno de 10, 12. Uma viagem à ilha da Inhaca, com o professor de ciências naturais, onde visitamos os espantosos ecossistemas dos mangais e da barreira de corais, mudou tudo. Nos exames finais do liceu, lembro-me de ter tirado média de 17 e um 20 a geometria descritiva. Era tão inesperado, e até invulgar nessa época, que o meu pai foi ver as pautas para ter a certeza. Ao entrar na universidade comecei pela engenharia, mas no segundo ano foi a física, com as grandes descobertas do início do século XX, que me fascinaram. Acabei por me doutorar em física teórica na área da supercondutividade.</p>
<p>Mas foram quase sempre os professores e algumas personagens da história que influenciaram as minhas escolhas.</p>
<p><strong>Que balanço faz da sua carreira profissional?</strong></p>
<p>AQ- Considero que tive muita sorte. Não só pelas pessoas que conheci e que sempre me encorajaram a construir as instituições que tive o privilégio de imaginar e concretizar, mas também pelos locais que tornaram esses sonhos possíveis. E claramente pelos muitos colaboradores que dedicaram tanta da sua energia a avançar um pouco mais as fronteiras do conhecimento em tantos e variados domínios.</p>
<p><strong>Como classifica a evolução da ciência nos últimos anos? O que está para vir? Quais os próximos passos?</strong></p>
<p>AQ- Preferia falar um pouco da evolução do conhecimento. A ciência, ou o método científico, consiste em duvidar da autoridade e ir à procura da evidência experimental das ideias (novas ou antigas). São dois os temas que julgo pertinentes e que estão relacionados entre si. Um é o do “melhoramento humano” o outro é o da forma como “encaramos o risco”.<br />
O impacto das novas tecnologias tanto fascina como assusta. O nuclear e a engenharia genética são dois exemplos conhecidos e que continuam a polarizar muitos debates. Hoje temos novos temas, como a biónica, a inteligência artificial, a seleção de embriões, a biologia sintética e a privacidade dos nossos dados (assim como o direito ao esquecimento dos mesmos); mas também as alterações climáticas, a demografia global, o conceito de género, o futuro do trabalho e a distribuição da riqueza.</p>
<p>No contexto do “melhoramento humano” que fazem parte do nosso dia-a-dia deveríamos incluir a anestesia, a reanimação, os antibióticos, as vacinas, as transfusões, os transplantes, a procriação medicamente assistida, a “pílula”, os antidepressivos (assim como tantos outros fármacos usados nas mais variadas terapias) e os extraordinários avanços no domínio dos novos materiais e das tecnologias de imagem “não invasiva”. Curiosamente, ou talvez não, muitos destes avanços foram e continuam controversos. A questão das vacinas é hoje particularmente relevante quando confrontamos a liberdade individual versus a responsabilidade social.</p>
<p>No futuro, creio que todos os pais vão querer dar aos seus filhos o mesmo que sempre quiseram dar: as melhores ferramentas disponíveis para atingirem os seus objetivos de vida. Até agora isso consistia em proporcionar as melhores condições possíveis para o desenvolvimento intelectual e emocional dos seus filhos. A melhor nutrição, o melhor ambiente familiar, a melhor educação, etc. A aposta estava na “nurture”. Nem sempre o conseguiam, como é evidente nas imensas desigualdades que continuam a existir por esse mundo fora.<br />
Hoje, o conhecimento detalhado do genoma humano e de formas cada vez mais precisas de o “editar”, permite pensar em redesenhar esse mesmo genoma de acordo com objetivos específicos. Ainda estamos longe de saber quais seriam os objetivos desejados, mas isso não impede muitos de pensarem que no futuro isso venha a ser possível e desejado. Aqui a ênfase estaria na “nature”. O debate Nature vs Nurture é antigo e tem passado por diferentes fases, mas são poucos hoje os que acreditam nesta dicotomia. Os genes e o ambiente estão em permanente diálogo, o que torna o seu controle muito difícil.</p>
<p>No entanto, a forma como olhamos para as aplicações das novas tecnologias, como as desejamos ou as tememos, tem muito a ver com a forma como encaramos o risco. Entre os vários fatores que condicionam a nossa perceção do risco, eu mencionava três:</p>
<p>a) o que sabemos versus o que não sabemos;</p>
<p>b) a nossa “visão” do mundo, que pode ser mais ou menos robusta ou frágil;</p>
<p>c) a confiança que nutrimos pelas fontes de informação ao nosso dispor.</p>
<p>E é em relação ao que “não sabemos”, ou talvez ainda mais em relação às “fake news” sobre uma determinada aplicação, que dependemos da nossa “visão” do mundo e da confiança que temos nas fontes de informação. Adiantaria que somos todos um pouco esquizofrénicos. Temos posições quase contraditórias em relação a muito do que ainda é desconhecido. Mais uma razão para duvidar dos referendos e para apostar nas formas mais claras e menos complexas de comunicar esse conhecimento.</p>
<p><strong>Se tivesse de precisar um momento/situação, o que considera ter sido um &#8220;Game Changer&#8221; dentro da área da ciência, o que escolhia?</strong></p>
<p>AQ- O Charles Darwin com a sua teoria da evolução das espécies. O impacto que teve e que ainda tem na forma como olhamos para nós próprios foi enorme. Ainda hoje levanta polémica, apesar da evidência impressionante que tem sido acumulada desde a publicação da ideia. Afinal somos animais e surgimos em paralelo com outras espécies. A história de Adão e Eva só pode ser vista, na melhor das hipóteses, como um mito. Mito esse, sedutor e com enorme impacto no pensamento, mas que não tem qualquer base biológica.</p>
<p><strong>Nasceu em Moçambique e caracteriza-se como &#8220;Africano de alma&#8221;. O que é que África lhe transmite?</strong></p>
<p>AQ- Penso que as sensações que acumulamos na meninice e juventude nunca nos abandonam. Hoje até pode parecer um cliché, mas o nascer e pôr do sol, os cheiros da savana, das queimadas, mas também dos velhos livros da pequena biblioteca em nossa casa, a água quente do mar, o “cacimbo”, as trovoadas imensas com chuva torrencial das monções e a constelação do Cruzeiro do Sul, o ruído dos animais selvagens, nunca mais se esquecem. Vivi 16 anos em Lourenço Marques (atual Maputo) e 9 anos em Johannesburg – climas e ambientes muito diversos. Passei muitas férias nos arredores da Cidade do Cabo, na “Garden Route”, no Drakensberg, no Xai-Xai, nos pântanos do Okavango, nos desertos do Karoo e da Namíbia e nas montanhas da Swazilândia.<br />
Experimentei muito cedo comida portuguesa, inglesa, alemã, chinesa, indiana e africana. E (o mais importante) a gigantesca maioria das memórias que guardo dos meus pais, têm a ver precisamente com estes locais. Assim como as minhas primeiras paixões que foram vividas muito intensamente nestes primeiros 25 anos da minha vida. Era praticamente impossível não ter uma “alma africana”.</p>
<p><strong>Cientista reputado, escritor, professor, deputado&#8230; que planos tem ainda por realizar?</strong></p>
<p>AQ- Neste momento a prioridade é conseguir que a Assembleia da República aprove uma Lei de Bases do Clima inteligente, realista e ambiciosa. Portugal, felizmente, está muito bem posicionado no panorama internacional para que tal aconteça. Mas, valorizar o conhecimento e combater os fundamentalismos e a intolerância continuarão a ser os meus “planos por realizar”.</p>
<p><strong>Ao olhar para trás, para tudo que fez e viveu, como se sente?</strong></p>
<p>AQ- Não costumo olhar muito para trás. Estou a acabar de ler “José e os seus Irmãos”, obra grande de Thomas Mann. Percebi muito cedo que tinha de a ler devagar, para apreciar a riqueza dos personagens e a atualidade dos dilemas. Mas tem-me ajudado a confirmar uma ideia antiga: os seres humanos são complexos e os seus comportamentos difíceis de prever. Mas, são esses os atributos que os tornam fascinantes: serem simultaneamente inspiradores e assustadores.<br />
Sinto que, se calhar, recebi mais do que dei. Pelo que recebi, estou imensamente grato. Espero que o que dei tenha ajudado alguns a crescer.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/K6qvrZXGLYY" width="700" height="560" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com Carlos Paz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Jan 2021 11:29:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Accenture]]></category>
		<category><![CDATA[carlos paz]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer]]></category>
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		<category><![CDATA[Groundforce]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Formado em Engenharia Mecânica, com várias pós-graduações nas áreas de Gestão, Marketing, Estratégia e Gestão de Projetos, Carlos Paz foi consultor, Associate Partner, da área de Gestão da Accenture de 1987 a 2009. Posteriormente, desempenhou o cargo de Presidente Executivo da Groundforce Portugal até fevereiro de 2013. Com uma vasta e completa carreira ao [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><em>Formado em <strong>Engenharia Mecânica</strong>, com várias pós-graduações nas áreas de<strong> Gestão, Marketing, Estratégia e Gestão de Projetos</strong>, Carlos Paz foi <strong>consultor</strong>, <strong>Associate Partner</strong>, da área de Gestão da Accenture de 1987 a 2009.</em></p>
<p><em>Posteriormente, desempenhou o cargo de <strong>Presidente Executivo da Groundforce Portugal</strong> até fevereiro de 2013.</em></p>
<p><em>Com uma <strong>vasta e completa carreira ao nível do ensino académico</strong> desenvolvida desde 1983 até ao presente, no <strong>ISEL</strong>,</em><br />
<em>na <strong>Universidade Nova de Lisboa</strong>, na <strong>Universidade do Minho</strong> e no <strong>ISG</strong> (nas áreas de Planeamento Estratégico, Logística e Operações, Análise de Investimentos e Gestão da Produção e Manutenção) que lhe permitiram possuir um espaço de comentário televisivo no <strong>Canal Económico</strong>, Carlos Paz, faz um balanço acerca de todo o seu percurso profissional abordando a sua experiência como CEO, dando a conhecer um pouco de si, da forma como trabalha e valoriza os colaboradores da empresa, fatores que se revelaram determinantes para se tornar num <strong>“Game Changer” ao nível da liderança e da gestão</strong>.</em></p>
<p><strong>É licenciado em engenharia mecânica. Foi uma escolha espontânea ou foi condicionada ou incentivada por algum acontecimento na sua vida?</strong></p>
<p>CP &#8211; O meu primeiro curso foi realmente Engenharia Mecânica. Foi uma escolha assumida desde a juventude. A paixão pelos mecanismos, pelos motores, pelos automóveis e motos. Não tive “segunda escolha”, foi mesmo a opção.<br />
Já depois, com as primeiras experiências profissionais não académicas, começou a nascer o interesse pelas ciências económicas e empresariais. Daí os posteriores estudos de Economia. Mais recentemente, o Doutoramento em Gestão, é simplesmente uma questão de diversão. Com a minha idade já posso ter divertimentos destes.</p>
<p><strong>Que balanço faz dos anos que trabalhou enquanto consultor numa multinacional? Consegue apontar alguns dos acontecimentos ou projetos mais significativos para si ao longo desse longo período?</strong></p>
<p>CP- Faço o balanço mais positivo possível. Nenhuma outra profissão me teria dado a hipótese de, em simultâneo:</p>
<ol>
<li>Ter podido estudar e desenvolver conhecimentos em tantas áreas, por pura opção própria;</li>
<li>Ter sido exposto a tantos tipos de negócios em tão diversos ramos de atividade;</li>
<li>Ter tido o privilégio de conhecer tantas pessoas e com uma tal disparidade de origens, conhecimentos, posições sociais e competências.</li>
</ol>
<p>A segunda e terceira são comuns a qualquer carreira de Consultor nas áreas de Gestão numa das grandes multinacionais de Consultoria. A primeira é quase um exclusivo da Accenture, que permite, e fomenta, o desenvolvimento de competências nas suas pessoas, independentemente da aplicabilidade prática no curto prazo. Cada um dos projetos de Consultoria teve o seu lado especial e o seu contributo para o meu desenvolvimento pessoal e profissional. Por isso não consigo destacar nenhum.</p>
<p><strong>Foi CEO da Groudforce e o principal objetivo da sua contratação foi reestruturar a empresa, na sequência da compra de 50,1% da operadora de handling à TAP. O que o motivou a abraçar este projeto?</strong></p>
<p>CP- Foi uma “aventura” por passos. Por motivos pessoais (saúde) aos 48 anos dei uma volta à minha carreira, concentrando-<br />
me na área académica e tendo a Consultoria (em nome individual) como uma atividade acessória, por forma a ter mais tempo<br />
para mim mesmo. Acontece que um dos primeiros pedidos de ajuda que tive, como Consultor, foi a avaliação da Groundforce para uma eventual compra da empresa. Aceite esse trabalho, seguiu-se o pedido para construir a proposta de compra e o respetivo<br />
modelo de negócio, bem como assessorar toda a negociação subjacente com a TAP (proprietária da empresa a 100% nessa altura).<br />
Depois, “já agora”, veio o pedido para apoiar o comprador e a TAP nas negociações, com os sindicatos, conducentes à viabilização da empresa. Finalmente, como consequência, o convite para “tomar conta disto”, durante o período de transição e recuperação da empresa. Tendo sido responsável pela avaliação, pelo desenvolvimento do plano de negócios, pela negociação da compra e pelas negociações com os sindicatos e autoridades aeronáuticas, era um desafio impossível de negar.</p>
<p><strong>A Groundforce apresentava resultados negativos de 11,1 milhões de euros em 2011. Até à sua saída, qual foi a evolução da empresa? De que forma conseguiu dar a volta ao jogo?</strong></p>
<p>CP- Em resumo, a empresa perdia em média 15 milhões de euros por ano. Num ano passou desses números para um resultado negativo de 1,5 milhões e para um orçamento de 1,5 milhões positivo para o ano seguinte (cumprido). Positivo pela primeira vez na história da empresa.<br />
Sobre a segunda parte da pergunta, a resposta que sempre dei é a mesma (porque é a verdade): eu não fiz nada; eu era só o Presidente Executivo; quem deu a volta foram os trabalhadores (todos) da empresa.<br />
Com as negociações sindicais passei a responsabilidade da viabilização da empresa para os seus trabalhadores (detesto a expressão colaboradores). Foram eles que conseguiram salvar a empresa e os seus postos de trabalho. Eu fui só o Maestro. Como disse antes: era só o Presidente.</p>
<p><strong>Tem e sempre teve um foco muito grande nos Recursos Humanos e teve a preocupação de manter os 2500 postos de trabalho da Groundorce. Foi fácil os trabalhadores confiarem em si? Que desafios encontrou?</strong></p>
<p>CP- Em toda a minha carreira, como Consultor e como Gestor (e, sempre que aplicável, também como académico) tive sempre uma grande preocupação com o desenvolvimento e a retribuição das pessoas que trabalhavam comigo e/ou para mim.<br />
Para mim o grande objetivo de uma empresa, qualquer empresa, deveria ser, sempre, a criação e manutenção de postos de trabalho sustentáveis. Com tudo o que isto quer dizer: pessoas com oportunidades de desenvolvimento, justamente remuneradas, com trabalho para o presente e para o futuro e assegurando uma remuneração justa e honesta do capital investido.</p>
<p>As pessoas da Groundforce, ao início (em alguns casos só nas primeiras horas ou, no limite, nos primeiros dias) tiveram alguma desconfiança deste tipo de discurso mas, muito rapidamente, perceberam que não era só discurso: “o gajo é mesmo assim!”.</p>
<p><strong>Que estratégias utilizou para manter a motivação dos colaboradores durante a reestruturação?</strong></p>
<p>CP- Mais do que estratégias, três opções táticas:</p>
<ol>
<li>Abertura e total transparência no que dizia, no que fazia e nas decisões que tomava;</li>
<li>Transmitir e explicar sempre a ideia (real): estamos no mesmo barco; o nosso objetivo é salvar a empresa e os seus postos de trabalho;</li>
<li>Criar um modelo de distribuição de lucros com os trabalhadores, caso os lucros excedessem a tal “remuneração justa e honesta do capital” (distribuição essa que, com muito orgulho o digo, já ocorreu).</li>
</ol>
<p><strong>Sabemos que numa noite de Natal foi ter com a equipa que estava de serviço no aeroporto. O que o levou a sair do seu lar para estar junto de alguns membros da sua equipa?</strong></p>
<p>CP- Eles estavam a trabalhar!</p>
<p><strong>Quais as soft skills que considera que podem fazer a diferença numa organização?</strong></p>
<p>CP- Nos tempos que correm, com as atribulações económicas e laborais que estamos a viver, essa é das questões mais difíceis de responder. No entanto acho que poderemos todos concordar que numa altura em que o teletrabalho e o distanciamento social vieram para ficar, o primeiro para sempre e o segundo por muito, muito tempo, as competências associadas às capacidades de comunicação, de organização e de estabelecimento de relações de confiança, são as mais relevantes.</p>
<p><strong>É mais ou menos consensual que o Carlos é um “game changer” nos líderes e gestores do nosso país. Concorda?</strong></p>
<p>CP- Sem o pretender ser, acabei realmente por ser visto assim ao longo de quase toda a minha carreira. Mas, como costumo dizer: eu sou um simples professor universitário que faz Consultoria de Gestão. Eu só ajudo. Os verdadeiros “game changers” são os empresários que arriscam, todos os dias, o seu trabalho, o seu capital e o seu bom nome. Tal como os trabalhadores que, em cada instante, arriscam o seu trabalho e a sua subsistência, para, juntos, manterem a sociedade em funcionamento. E aqui utilizo a expressão “sociedade em funcionamento” em vez da tradicional “economia em funcionamento”, porque a segunda está, erradamente, demasiado associada, pelas pessoas, à vertente financeira. De facto são as empresas, empresários e trabalhadores, que garantem o funcionamento da sociedade como a conhecemos (saúde, apoios sociais, educação, cultura, infraestruturas, bem estar e, claro, economia e finanças, públicas e privadas).</p>
<p><strong>É também professor universitário. Como é dar aulas a profissionais e futuros profissionais que podem ser os nossos gestores de amanhã Qual a principal mensagem que lhes tenta passar?</strong></p>
<p>Fui sempre Professor Universitário desde que acabei o meu primeiro curso. Mantive sempre as duas carreiras, Gestor e Consultor de Gestão e Professor, em paralelo. Até aos 48 anos, o ser Professor era um hobby; Daí para a frente passou a ser a atividade principal, mantendo a consultoria como hobby. Tenho imenso respeito para com os Professores que dão aulas aos mais jovens (desde a pré primária até aos primeiros anos das licenciaturas). Eu só tenho verdadeira experiência e, sem falsa modéstia, assumo, alguma competência, na formação de adultos (Mestrados, Pós Graduações e Programas de Desenvolvimento de Gestores e Empresários) e, devo dizer, que após o fim de cada curso, quando faço o meu balanço, ainda tenho aquele sentimento que sempre tive em relação à profissão de Professor: “e ainda me pagam para isto!”. Resumindo: não é uma profissão, é uma vocação.<br />
As principais mensagens que tento transmitir são as que fui aprendendo ao longo da vida:</p>
<p>“Nunca se sabe tudo, é sempre preciso estudar e investigar mais”</p>
<p>“Tomem todas as vossas decisões profissionais baseadas no princípio de que, quando se virem ao espelho, mantenham respeito pela imagem que está refletida”</p>
<p><strong>Olhando para trás mudaria alguma coisa no seu percurso profissional?</strong></p>
<p>CP- Provavelmente não. Em alguns momentos, fiz opções que podem não ter sido as mais realizadoras do ponto de vista financeiro, mas foram-no do ponto de vista pessoal. Mantenho respeito pela imagem refletida no espelho todos os dias de manhã.</p>
<p><strong>Para si, quais as “regras do jogo” que têm de mudar relativamente ao trajeto do nosso país?</strong></p>
<p>CP- Esta é a pergunta das utopias. Mas não me furto a responder:</p>
<ol>
<li>Para os Políticos: Decisões políticas baseadas no futuro e não no populismo eleitoral do momento;</li>
<li>Para a Justiça: Funcionamento do sistema e eliminação de todas as formas de apropriação indevida do bem comum;</li>
<li>Para a Sociedade: Deixarmos de pensar pelas lógicas clubísticas (as decisões dos “meus” são sempre boas e as dos “outros” são sempre más; não é verdade!);</li>
<li>Para todos em geral: Aposta clara numa Economia de “produção” de bens e de subida na escala de valor.</li>
</ol>
<p>Relativamente ao último ponto, gostaria de acrescentar o seguinte: não podemos continuar a viver de prestar serviços uns aos outros até o dinheiro acabar. Até porque, quanto a isso, tenho uma má notícia para os mais distraídos: o dinheiro acabou há 230 mil milhões de euros atrás (valor da dívida pública).</p>
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		<title>Game Changer 11 &#8211; Entrevista com Miguel Araújo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Diogo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jan 2021 15:02:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer]]></category>
		<category><![CDATA[Game Changer 11]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Aráujo]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Nascido em 1978, cedo mostrou gosto pela música muito por influência familiar, já que os seus tios tinham uma banda de covers. Mais tarde, faz parte da banda Yellow Lello e dos Tsé Tsé. Em 2002, forma-se o grupo que lhe viria a dar maior notoriedade, Os Azeitonas do qual passa a ser integrante [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><em>Nascido em 1978, cedo mostrou gosto pela música muito por influência familiar, já que os seus tios tinham uma banda de covers. Mais tarde, faz parte da banda <strong>Yellow Lello</strong> e dos <strong>Tsé Tsé</strong>. Em 2002, forma-se o grupo que lhe viria a dar maior notoriedade, <strong>Os Azeitonas</strong> do qual passa a ser integrante sob o pseudónimo de Miguel AJ.</em></p>
<p><em>Sempre desenvolvendo vários projetos na área da música, é em Maio de 2012 que lança o seu primeiro álbum a solo, <strong>“Cinco dias e meio”</strong>. O segundo álbum surge dois anos depois, <strong>&#8220;Crónicas da Cidade Grande&#8221;</strong>, obtendo entrada direta para o para o top 3 nacional.</em></p>
<p><em>Compõe vários temas para artistas conhecidos, onde se destaca o tema “Pica do 7” vencedor do <strong>Globo de Ouro de Melhor Música</strong> de 2015.</em></p>
<p><em>Posteriormente, em finais de 2016, a banda <strong>Os Azeitonas</strong> anuncia através das suas redes sociais que Miguel Araújo decidiu deixar a banda para se dedicar inteiramente à sua carreira a solo. <strong>“Giesta”</strong> torna-se no seu terceiro álbum de originais em 2017, e no ano seguinte lança um livro de crónicas denominado <strong>“Pernas de Pato”</strong>.</em></p>
<p><em>Com uma carreira de sucesso ligada ao mundo da música, Miguel Araújo admite a forte ligação mas recorda que tudo poderia ter sido bem diferente&#8230;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A música sempre fez parte da sua vida. A carreira musical foi sempre uma opção, ou em pequeno tinha outros planos?</strong></p>
<p>MA- A música sempre fez parte da minha vida. Aos 3 e 4 anos, quando ouvia as músicas &#8220;Playback&#8221; do Carlos Paião e &#8220;Ebony and Ivory&#8221; sentia que recebia choques elétricos. A minha música e a minha vida entrelaçam-se numa coisa só, não são separadas ou separáveis. Quando dei por mim, já tinha isso a que se chama &#8220;carreira&#8221;, mas nunca fiz planos nesse sentido, muito menos nas idades em que se fazem planos para o futuro.</p>
<p><strong>É verdade que depois de tirar do curso de gestão, a banca/empresas era o seu destino preferencial?</strong></p>
<p>MA- Tirei esse curso, sim. Mas não é verdade que tivesse alguma área de eleição em vista, na altura fazia-se o currículo e ia-se para onde nos quisessem. Os meus amigos foram para empresas de telecomunicações, consultoras, etc.<br />
Eu nunca cheguei a fazer curriculum, decidi que ia fazer um ano sabático, como os americanos nos filmes, um ano de papo para o ar. A tocar viola, mas no meu caso literalmente. E a música requisitou-me em regime de exclusividade desde então, já lá vão 19 anos.</p>
<p><strong>O “acidente” de ter músicos na família que o influenciaram foi decisivo. E se não tivesse, estaria a trabalhar num banco?</strong></p>
<p>MA- Foi decisivo sem dúvida, mas num banco, duvido. Talvez nalguma área onde a criatividade se faça notar mais.</p>
<p><strong>Quão importante é o curso que tirou para a gestão da sua carreira?</strong></p>
<p>MA- Já fui algumas vezes à Católica do Porto falar sobre isso e sinceramente já foi há tanto tempo que hoje em dia não é fácil responder a isso, mas lembro-me que desde que entrei para a pré-primária até que acabei o curso em 2001, nunca nenhum professor me perguntou se eu gostava de música. A música, em todo o meu percurso escolar, foi vista como um hobby desviante, uma perda de tempo.</p>
<p><strong>Há alguma formação que gostaria de fazer além de ser songwriter? Por exemplo, dançar, como exemplifica no seu novo single?</strong></p>
<p>MA- Dançar não é mesmo a minha especialidade, a música não tem esse efeito em mim. A música nunca teve em mim esse efeito físico, de mexer o corpo, esse efeito visível e imediato, comigo não funciona assim. Mas gostaria de saber mais de vídeo, por exemplo, abrir um software de design e saber mexer naquilo. Um dia meto-me a aprender essas coisas. Música não, aprendi sozinho e estudei muito, muitas horas sozinho, não quero ir mexer nos alicerces de tantos anos de estudo auto-didata.</p>
<p><strong>O que vem primeiro, a letra ou a música?</strong></p>
<p>MA- Quase sempre a música. Muito raramente, ambas em simultâneo.</p>
<p><strong>O que é que lhe dá mais gozo, escrever canções, cantá-las, ou ouvir outras interpretações?</strong></p>
<p>MA- Hoje em dia, gosto de tudo. Até há poucos anos atrás não gostava de cantar, foi preciso estar um ano (2015) com problemas graves de voz, com duas operações ao nariz e muitos químicos, para dar valor. Agora já ninguém me apanha a dizer que não gosto de cantar, ter voltado a ter voz foi uma bênção na minha vida, mas julgo que o que mais me distingue é a escrita de canções. Poderia escrever canções sem as cantar, mas não seria cantor se não fosse autor, disso não tenho dúvidas.</p>
<p><strong>Que impacto teve em si o êxito alcançado nos Coliseus em conjunto com o António Zambujo? Existe um Miguel AC e DC (Antes dos Coliseuse Depois dos Coliseus)?</strong></p>
<p>MA- Sim, muito claramente. Foi o que me fez ganhar à vontade nos palcos, o Zambujo emite uma energia muito zen, muito calma e tranquila. Além disso, foram muitos concertos, a certa altura aquilo era um emprego diário. Essa repetição fez-me começar a tocar e cantar, pela primeira vez na vida e ao fim de muitos anos, com o mesmo à-vontade com que tocava sozinho em casa no meu sofá sem ninguém a olhar. Eu vivia com muita pena de não conseguir tocar tão bem no palco quanto tocava no meu sofá, foi graças a essa temporada que me tornei muito melhor em palco, além de tudo de bom que essa temporada mágica me trouxe.</p>
<p><strong>Nestes últimos 10 anos, como considera que tem evoluído a música interpretada na língua portuguesa?</strong></p>
<p>MA- Eu sou muito fã, realmente muito admirador de muitos colegas meus da minha geração, para além dos consagrados, claro. Mas dos meus colegas de geração, admiro e invejo os talentos do Jorge Cruz, do Samuel Úria, do João Só, do Pedro Silva Martins, do Nuno Figueiredo, da Luísa Sobral, da Márcia, só para mencionar alguns autores dos últimos 10 anos. Mais recentemente apareceu o Nacarato, o Janeiro, a Helena Kendall, a Via, a Bárbara Tinoco, toda uma nova leva. Acho todos autores admiráveis na nossa língua e estou-me a esquecer de muitos nomes.</p>
<p><strong>É mais ou menos consensual que nesta década o Miguel foi um game changer na música em Portugal, concorda?</strong></p>
<p>MA- Não me sinto um game changer. Talvez um game keeper, a minha música não é assim tão iconoclasta como isso. Mas serei um dos que mais se notabilizou na área da escrita de canções, nesta fase em que parece que se assistiu a um regresso da língua portuguesa ao universo da música popular. Muitas músicas da minha autoria tornaram-se bastante conhecidas, destaco a importância histórica da rádio comercial no renovado interesse do grande público por música cantada em português, nesta década que agora finda. Foi um risco, mas sem dúvida nenhuma uma aposta intencional. As coisas não teriam sido assim, nem para mim, nem para tantos outros, se não fosse essa &#8220;teima&#8221;.</p>
<p><strong>Ao longo do seu percurso é provável que se tenha deparado com alguns obstáculos e desafios. O que o fez para os ultrapassar e de que forma seguiu em frente?</strong></p>
<p>MA- É preciso aprender a dizer que não, recusar convites. Uma pessoa tem que se defender. Uso as redes sociais pacificamente, fujo de tudo quanto me possa tornar numa figura pública (sou da era do sucesso sem fama e prezo muito essa nova realidade), tiro férias, paro durante períodos suficientemente longos. O pior de tudo foi ter abusado ali em 2015, 2016, a minha saúde foi um bocado abaixo. Agora defendo-me, são mais as coisas que eu recuso do que aquelas que eu aceito.</p>
<p><strong>O que vai mudar na indústria musical? E no Miguel Araujo?</strong></p>
<p>MA- A indústria musical sempre viveu de uma coisa que não muda na sua essência: música. Eu dedico-me à música, não à indústria musical. Já nem sequer faço parte dela, sou detentor dos direitos de toda a música que crio, produzo e edito desde 2018. Saí dessa engrenagem, mas por acaso gosto das coisas a mudarem, novas perspetivas, oportunidades que se abrem, olho com muito entusiasmo e interesse para as mudanças que vão ocorrendo e nunca, mas nunca mesmo, lamento as formas velhas que cedem o lugar às novas. “Ai, no tempo de CD é que era”, “Ai que as redes sociais são o demónio”, são coisas que nunca ninguém me apanhará a dizer.</p>
<p><strong>Como vê esta transformação digital? Ela é boa, ou má?</strong></p>
<p>MA- Toda a mudança é boa, tem sido essa a história da nossa civilização. Com avanços e recuos, a vida melhora sempre, a história tem sido providencial e inequívoca nesse aspecto. Não parece que seja assim, mas é, basta ler por exemplo o livro &#8220;Factfullness&#8221; para rapidamente fazermos cheque-mate a toda e qualquer perceção errada que possamos ter. A transformação digital é, aos meus olhos otimistas, indiscutivelmente positiva. Diagnóstico definitivo.</p>
<p><strong>Como tirar melhor partido desta revolução digital? O que está a fazer para isso?</strong></p>
<p>MA- A primeira coisa é um autor garantir total independência e propriedade dos seus direitos autorais. A defesa da propriedade intelectual é a coisa mais importante neste período que vivemos. Tenho feito exactamente isso: tentar garantir como meus os direitos das músicas que criei, produzi, paguei, etc.</p>
<p><strong>O que ainda não fez e quer fazer?</strong></p>
<p>MA- Nunca faço essas negociações comigo mesmo. Trabalho todos os dias na minha música, daí virá o que tiver que vir.</p>
<p><strong>Onde vai estar o Miguel Araújo em 2030? O que prevê acontecer à sua carreira e à musica em geral?</strong></p>
<p>MA- Não faço ideia. Mas julgo que não andarei na estrada tão ativamente como agora. Isso cansa, realmente. Mas por mim, se a música me quiser ainda, cá estarei.</p>
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