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23 de Fevereiro de 2024

Flexibilidade Laboral: O que aprendemos nos últimos anos e o que podemos esperar do futuro – Game Changer 19

A pandemia veio acelerar a adoção de modelos de trabalho flexível em Portugal de forma democratizada e com forte impacto no mundo laboral. Podemos dizer que existe um antes e um depois de março de 2020. Apesar de já na altura existirem empresas que tinham implementado modelos de trabalho flexível, apenas com a pandemia estes modelos se tornaram mais comuns nas organizações.

Não podemos falar de flexibilidade laboral sem falar de teletrabalho ou home office, sendo este, atualmente, a componente mais visível da flexibilidade laboral; para muitas organizações um novo modelo de trabalho que se impõe a uma visão mais tradicional do mesmo. O teletrabalho apresenta benefícios e malefícios que devem ser considerados.

Benefícios:

  • Work-life balance;
  •  Mais produtividade;
  •  Redução de custos em deslocação;
  •  Maior satisfação pessoal;
  •  Retenção de talentos;
  •  Outros;

Malefícios:

  • Isolamento do colaborador;
  • Problemas de saúde devido a sedentarismo;
  • Dificuldade de integração na equipa;

 

Não existem, no nosso país, muitos estudos focados nas desvantagens do teletrabalho, apesar de algumas poderem levar a problemas mais sérios caso sejam ignoradas pelas organizações, como o isolamento sentido por alguns colaboradores, que pode levar a casos de depressão. As empresas têm um papel importante no equilíbrio psicológico do colaborador; papel esse que não deve ser negligenciado. Para tal, as organizações devem promover a interação, socialização e colaboração, podendo organizar momentos de convívio entre colegas de trabalho de diferentes áreas.

No futuro teremos mais dados sobre a depressão como uma das causas do trabalho 100% remoto, que poderão ajudar a conhecer melhor o panorama em Portugal, e identificar mais e melhores medidas preventivas. Em Inglaterra começam a surgir alguns artigos sobre este tema. Algumas empresas inglesas estão a criar guias para os seus colaboradores que estão em teletrabalho a 100%, com o objetivo de os ajudar a manter um equilíbrio psicológico saudável, alguns exemplos são:

  • Seguir uma rotina como se estivesse no seu local de trabalho, na empresa;
  • Criar um espaço que seja só para trabalhar, como se estivesse no escritório;
  • Fazer intervalos frequentes durante o dia para alongar o corpo;
  • Entre outros;

Também, existe um agravamento dos problemas de saúde relacionados com sedentarismo nos colaboradores que estão em teletrabalho a 100% e que não praticam nenhum desporto para compensar as horas de trabalho que passam em frente a um ecrã.

Apesar de indicar algumas desvantagens, sem dúvida que o teletrabalho também proporciona vantagens, como já referido, e o ideal é o equilíbrio do teletrabalho, isto é, o trabalho híbrido.

O trabalho híbrido proporciona o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e evita o isolamento do colaborador ou uma possível falta de visibilidade do seu trabalho em algumas funções.

Deve sempre haver uma avaliação das equipas. Se para muitos colaboradores o teletrabalho representa melhores condições de trabalho e um ponto fundamental para a sua retenção, para outros, representa algo mais crítico, como falta de adaptação ou isolamento social, que pode colocar em causa o seu equilíbrio profissional, e causar o isolamento do colaborador.

As organizações não vão voltar às formas anteriores de trabalhar; a pressão exercida pelos colaboradores sobre as empresas faz com que surjam novas formas de trabalho flexível. A chave estará na liderança saber olhar para as suas áreas, e ver o que se adapta mais a cada uma. Deste modo, não irá criar desconforto aos colaboradores, possibilitando que estes se sintam mais confortáveis no seu trabalho, seja ele remoto ou no escritório.

As organizações com departamentos que trabalham a 100% remoto devem ainda pensar em novas formas de onboarding que devem ser feitas através de ações virtuais para criar proximidade e conexão com os colaboradores da empresa. Além disso, as empresas devem criar programas de engagement para evitar que os colaboradores se sintam desconectados ou isolados, e evitar sentimentos de tristeza ou solidão, como anteriormente referido. Neste ponto, a liderança tem um papel importante no cumprimento desses programas de engagement. Muitos desses programas passam por reuniões semanais com as equipas, reuniões entre colaboradores e alinhadas com a missão e visão da empresa.

Em suma, as organizações devem garantir o bem-estar individual dos seus colaboradores e isso é algo que nem sempre passa pelo teletrabalho 100% remoto. Tal como referido anteriormente, devemos olhar para as nossas equipas e, avaliar o modelo mais adequado a estes, seja ele 100% remoto ou híbrido.

 

Daniela Pinheiro,
People Development Specialist Europe, Cork Supply

 

Descarregue aqui a 19ª Edição da Revista Game Changer

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