3 de Julho de 2026

Ocupado não é o mesmo que produtivo – Game Changer 25

A maioria das organizações não tem um problema de produtividade. Tem um problema de definição.

Quando tudo é prioridade, nada é. E quando o desempenho é medido pelo número de tarefas concluídas, as pessoas aprendem a parecer ocupadas, não a gerar impacto.

Trabalhar de forma inteligente começa por uma pergunta incómoda: o que é que eu faço hoje que, se deixasse de fazer, ninguém notaria?

A resposta, na maioria dos casos, surpreende.

No desenvolvimento de competências, este problema é estrutural. Softskills como comunicação, gestão do tempo ou pensamento crítico são trabalhadas em sala, validadas por questionários de satisfação e rapidamente esquecidas.

Não porque as pessoas não queiram mudar, mas porque o ambiente de trabalho não foi preparado para suportar essa mudança.

Menos de 10% do que é aprendido em contexto de formação é efetivamente aplicado no trabalho. O problema não está na qualidade do conteúdo. Está na ausência de ligação entre o que se aprende e o que se exige no dia seguinte.

Trabalhar de forma mais inteligente exige três mudanças concretas.

definir o que vale o tempo de cada pessoa. Nem toda a tarefa tem o mesmo peso. As equipas mais eficazes trabalham com critérios claros de impacto e sabem, com igual clareza, o que não vão fazer.

criar condições para que o que se aprende seja aplicado. Aprender sem contexto de aplicação é desperdício. A mudança de comportamento acontece no trabalho, não na sala de formação.

medir resultados em vez de atividade. Enquanto o desempenho for avaliado por volume, o comportamento não muda. O que se mede é o que se gere.

Um exemplo simples: uma equipa pode executar dezenas de iniciativas num mês e ainda assim não gerar resultados relevantes. Em contrapartida, menos ações, mais focadas, podem produzir impacto significativo.

Work smarter” não é eficiência operacional. É critério. E nas organizações mais maduras, isso traduz-se numa mudança clara: menos atividade, mais impacto.

 

Rodrigo Russo
Learning and Development | Soft Skills, GALILEU

Descarregar 25ª Edição da Revista Game Changer