31 de Julho de 2026

Com IA, o ganho não está em fazer mais. Está em decidir melhor – Game Changer 25

Durante meses, venderam-nos a ideia de que trabalhar com inteligência artificial era, acima de tudo, uma questão de velocidade. Mais conteúdos, mais respostas, mais apresentações, mais tarefas automatizadas.
Mas a pergunta mais importante não é essa.
O que acontece ao critério quando tudo começa a sair depressa demais?

A IA já está presente no marketing, na análise de dados, no apoio ao cliente, nos recursos humanos, na síntese de reuniões e relatórios. A promessa é apelativa: mais produtividade, mais escala. Só que fazer mais não é o mesmo que trabalhar melhor.

Vejo isto muitas vezes em sala de aula e no trabalho com equipas. Alguém pede à IA uma proposta de campanha ou uma síntese de entrevistas a clientes. O resultado chega bem escrito, convincente, quase pronto. E é precisamente aí que o risco começa.

Quando se desmonta esse output, surgem os problemas reais: o diagnóstico é genérico, a diferenciação da marca desapareceu, os públicos estão mal definidos, os riscos do contexto foram ignorados. O texto está fluido, mas a decisão é fraca.

Noutros casos, o erro é mais subtil. Uma equipa usa IA para resumir feedback de clientes e recebe uma síntese rápida e plausível. Só que, pelo caminho, perdem-se a fricção, a ambivalência e a contradição. A organização começa a decidir com base numa versão excessivamente limpa da realidade.

Trabalhar melhor com IA não significa delegar pensamento. Significa libertar tempo para pensar melhor.

A produtividade com IA só cria valor quando melhora a qualidade da decisão, não quando apenas acelera a produção. Porque muitas tarefas que parecem operacionais escondem escolhas com impacto real: ajustar o tom de uma mensagem, interpretar dados, responder a uma reclamação, definir prioridades.

Quando a IA entra nestes momentos, a responsabilidade humana não diminui. Fica mais exigente.

A verdadeira vantagem competitiva não está nas equipas que usam IA para fazer tudo. Está nas que sabem distinguir onde a IA acelera bem, onde exige supervisão apertada e onde não deve substituir julgamento humano.

Num tempo obcecado com eficiência, saber parar antes de aceitar, rever antes de publicar e pensar antes de delegar pode ser a competência mais valiosa.

O ganho real da inteligência artificial no trabalho não está em fazer mais. Está em decidir melhor.

Foi também para treinar esta competência que nasceu o Bootcamp Desprogramar com IA: não para ensinar apenas a usar ferramentas, mas para reforçar critério, pensamento crítico e qualidade de decisão.

Rita Tomé Duarte
Head of Brand & Performance Marketing, Cofidis

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